O silêncio da bondade

Se há algo tão bom quanto o silêncio num momento oportuno é a bondade.

A bondade nos atrai e nos encanta. A bondade contagia. O silêncio no momento adequado permite o encontro com nós mesmos. O silêncio diante os bondosos nos momento certos é revigorante.

O momento certo de falar e o que falar. Não as nossas conversas do cotidiano. Aqueles que se vangloriam diante o que foi feito, e o que foi feito? Com que objetivo? Quais as intenções?

Ora por que essa conversa? O senhor ou Sir Nicholas Winton, que morreu aos 106 anos de idade. Esse homem em 1938, na antiga Checoslováquia, percebendo os rumores que levariam ao começo do que seria a segunda guerra mundial conseguiu salvar 669 crianças do holocausto. Outras cerca de 200 ele lamenta não ter conseguido, mas não foi por falta de seu esforço. Sem entrar nos detalhes da história já conhecida e apresentada na internet restam ainda algumas lições.

Ele nunca contou a ninguém. Nunca “tocou a trombeta diante de si”. Não chamou a imprensa para mostrar o que estava fazendo ou o que fez, “vejam só, eu…”. Não ter que chamar a atenção para si. Nem avisar a imprensa quando vão visitar crianças doentes em hospitais, como alguns fazem; com que objetivo, com que intenções?

Não importa o tamanho do gesto. Certo dia um servente de pedreiro terminou o seu serviço e do outro lado da rua conversou com um homem que acabara de pedir um lanche. O bom cheiro tomou conta do lugar. O servente apreciou o bom cheiro. O homem ofereceu um lanche. O rapaz depois de proferir algumas palavras desconfiadas sobre quem iria pagar entendeu que era uma cortesia e aceitou. Logo depois o homem viu o servente se afastando e perguntou: “Ei rapaz, não vai comer teu X-Salada ou pedir um refrigerante?” Então o servente respondeu ao homem: “Vou comer em casa, com a minha mulher. Não como nada sem dividir com ela”.

Ele morava numa casinha alugada e tão pequena que nem banheiro tinha, mas não seria capaz de saciar sua fome longe da companheira.
Quem pratica a bondade de coração não precisa contar a ninguém. Sua recompensa já aconteceu. Quem se vangloria pelo que fez ou acha que fez…
Contar boas histórias é muito bom sim. Histórias como a desse senhor e tantas que conhecemos. Histórias que colegas jornalistas tomam conhecimento e publicam em meio a esse mundo de notícias cruéis.

Como diz a Lei de Cristo, “Fazer aos outros aquilo que queremos que façam a nós”.

Fazer a bondade e manter sobre ela o silêncio aumentará seu valor e a sua real intenção.

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