O som estéreo da FM assustou a tradicional AM

A grande presença da igreja católica no rádio paranaense da década de 1950 deu lugar, nos anos seguintes, a uma diversificação de religiões e credos que surgiram  na programação radiofônica. Os pastores evangélicos começaram comprando horários nas rádios locais e no decorrer de um certo tempo ganharam popularidade a ponto de se elegerem para cargos legislativos. Com poder político ocuparam bons espaços na política nacional e junto ao governo federal, o que lhes permitiu conquistar a concessão de vários canais de rádio no país. Essa foi uma das mudanças mais significativas ocorridas na história recente do rádio.
A presença dos evangélicos no rádio aumentou consideravelmente nos últimos anos, coincidindo com o crescimento da própria religião evangélica em todo o país. O rádio, sem dúvida, teve participação efetiva  nesse processo. Outro fator que levou a uma condição desfavorável as emissoras que transmitiam em AM, foi o grande susto que o anúncio do início de uma era de estações transmissoras em FM que estava chegando com som estéreo.

Muitos diretores dessas emissoras, com medo de perder ouvintes para as emissoras FM e por consequência ver seu faturamento despencar, praticamente abandonaram a rádio tradicional e saíram em busca de apoios políticos para conseguir um canal de Frequência Modulada. Os que conseguiram seus objetivos deixaram de lado as velhas rádios AM para se dedicar a FM com esperança ver seus negócios progredirem nesse mercado.

Relegadas a um segundo plano, as emissoras de Ondas Médias, ficaram disponíveis para religiosos, políticos e deslumbrados com a possibilidade de fama que ocuparam quase todos seus espaços. Muitos deles acabaram proprietários de algumas dessas emissoras. A corrida pelas emissoras de FM e o quase abandono da AM foi um movimento de radiodifusores que aconteceu mais acentuadamente no Paraná.

Em outros pontos do país as emissoras AM continuaram mantendo bons níveis de audiência. Em Belo Horizonte a Rádio Itatiaia, que não se assustou com a FM, continuou liderando. Em São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre, considerados grandes centros de radiodifusão, o rádio AM continuou em boa posição na preferência  do público ouvinte.

Contrariando a expectativa negativa de alguns empresários do setor, a rádio AM continuou forte e poderosa como veículo eficiente na comunicação com o povo.

(do livro Sintonia Fina – JamurJr)

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