O surpreendente mundo dos artistas de rua

O ano de 2013 que a alguns parece estar a léguas de distância, para outros está tão próximo como se tivesse terminado ontem.

Foto: Jaqueline Santos

Aliás, os espaços urbanos das ruas de uma cidade, para quem vive enclausurado num escritório ou dentro de um apartamento de 60 metros quadrados, são mesmo aterradores. E para quem vive ao relento e ao sabor da intempérie sob o privilégio da luz do sol ou os terrores de noites tempestuosas, como soa esta discreta pergunta? De mil maneiras, formas e emoções, como você perceberá ao ler este trabalho das acadêmicas Jaqueline Fernandes Santos e Juliane Roberta Corrêa.

Ao se deparar com os artistas nas ruas, sinaleiras e praças de Florianópolis, muitos não costumam pensar sobre como é a vida deles. Quais os riscos, a rotina, a renda e as alegrias daqueles que fazem da rua um palco a céu aberto? São questionamentos como estes, que o projeto jornalístico Artes Urbanas, tem como objetivo retratar.

Para tanto foi criado o blog jornalístico www.artesurbanasfloripa.com, no qual duas vezes por semana, durante três meses, foram apresentadas aos moradores, turistas e demais frequentadores de Florianópolis, matérias sobre as expressões culturais que acontecem no município, bem como as políticas públicas, leis e contextos que as envolvem.

Foto: Rodrigo RizoCom os mais variados perfis, cada um dos aproximadamente 30 artistas entrevistados foi dividindo sua história e despindo as incógnitas que pairam sobre suas figuras. O primeiro entrevistado, o violonista Yamandú Paz, nos mostrou como a falta de rotina pode ser uma dádiva ou uma condenação, ao se definir como “um escravo da liberdade”. No mesmo dia, Jaime Ollivet, flautista e artesão, nos impactou com a desilusão perante o cenário artístico da Capital catarinense, no qual ele se tornou um subsistente das vias urbanas. Ainda na música, o casal de deficientes visuais Mauri e Maria, interpretam canções populares em oposição à desconfiança que trabalhar nas ruas lhes trouxe.

No campo do teatro, há a Companhia Vanguarda, com apresentações de mímica repletas de simpatia, emoção e humildade. Também tem Eduardo Esquilante, que faz stand ups na Lagoa da Conceição, em busca de recursos para apresentações em escolas, as quais, ainda assim, as crianças pagam R$ 5 para participar.

Dos circos para os picadeiros urbanos, temos Baiano, que salta em um aro de facas; um casal de namorados chilenos, rumo ao Rio de Janeiro; uma família em viagem pela América Latina; um apaixonado que mudou de país e profissão para casar; um empresário e palhaços de rua.
Nos muros, grafites que evoluem na aceitação social e vislumbram a possibilidade de deixar a marginalidade para vigorar em mostras de design e arquitetura do circuito brasileiro e internacional.

As estátuas vivas cativam, não só pela beleza dos espetáculos feitos especialmente para serem urbanos, como também pelos seus intérpretes. Jonas Lopes faz um Robô nas sinaleiras de Florianópolis, destacando-se pela fantasia irreverente, cheia de apetrechos e pela simpatia. Já Bacumim e Mariposa, protegem-se por codinomes e mostram quão frágil pode ser o limite que separa um espetáculo de rua sonhado como arte das posturas públicas e sociais que regulamentam o uso destes espaços.

Por último, José Luiz, um jovem de recém completos 18 anos, que chegou a Florianópolis por meio de caronas, acabou vivendo ao relento e encontrou no malabarismo feito com laranjas tiradas do lixo, um recomeço.

Juliane e Jaqueline durante o projeto no Palácio Cruz e Sous.a

Juliane e Jaqueline durante o projeto no Palácio Cruz e Sousa

Além dos artistas, o blog produziu conteúdos especiais, que apresentam aos internautas uma introdução às leis que agem sobre as expressões culturais em contexto urbano, a história e evolução das mesmas, além do parecer da Fundação Franklin Cascaes e da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano (SMDU), através de seus gestores Luiz Ekke Moukarzel e Edino Rosar Júnior, respectivamente.

O Artes Urbanas é um blog jornalístico, realizado pelas acadêmicas do curso de Comunicação Social, Habilitação em Jornalismo, do Centro Universitário Estácio de Sá Santa Catarina, Jaqueline Fernandes Santos e Juliane Roberta Corrêa. A proposta integra a unidade curricular de Produção de Projetos Jornalísticos, orientada pela professora Regina Zandomênico. O objetivo é apresentar os artistas de rua de Florianópolis, bem como detalhar a história e a motivação de cada personagem entrevistado, sobre o exercício da atividade.

Confira o relatório na integra do Projeto Artes Urbanas Florianópolis

 

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