O todo e a parte

A parte pode ser mais importante que o todo? Não! Na verdade, a parte não existiria sem o todo! Podemos aprender a viver sem algumas partes do corpo, mas, no caso dos órgãos vitais é diferente: sem eles a morte é uma questão de tempo e a vida só subsiste sustentada por processos artificiais, mantidos por terceiros. A alternativa é o milagre dos transplantes, que permite mais uma chance, para os que recebem, e uma benção póstuma, para os que doam. A busca é uma só: manter ou recuperar a autonomia física! Pena que ainda não exista transplante de cérebro. Ao menos, não de fato… Mas, o que dizer dos que abrem mão voluntariamente de suas faculdades mentais, deixando de ser unidades autônomas e inteligentes, para se transformarem em terminais ou robôs “pseudo-espertos”?

E o que dizer dos que tomam corações e cérebros dos outros, não para salvar vidas, mas para viver e tirar proveito delas?

Isso poderia configurar escravidão. No entanto, a habilidade de alguns lhes deu ares de status social, de objeto de desejo.

Para os que não aceitam esse tido de dominação a vida fica mais difícil. É o preço da liberdade! Mas, para os que se submetem é dado passaporte para o sucesso material. Isso até que a cobrança venha…

Para estes, a ilusão de superioridade fica subordinada à perda da liberdade de pensar e agir.

Deixando o todo para pertencer a uma parte, eles passam a ser pedaços mantidos artificialmente, congelados ou sujeitos à vontade de terceiros, que sempre querem ser os primeiros.

É assim com alguns grupos humanos, que acreditam representar a parte mais importante do todo.

Eles deveriam ser questionados, mas, pelo contrário, há os que os defendam.

Por honra e vontade de fazer bem à humanidade? Não! Por cobiça, arrogância e oportunidade de obter vantagens em detrimento do próximo. Ser parte, mas tirar proveito do todo!

É certo que existem grupos bem intencionados, constituídos para beneficiar a sociedade como um todo. Não são poucos, no entanto, os organizados com o intuito de usar do poder que alcançam, para que seus membros se locupletem do que não lhes pertence.

Fazer parte desse tipo de grupo envolve riscos de várias espécies. A primeira coisa que se perde é a imparcialidade, pois a prioridade passa a ser zelar pelo bem da parte sem, necessariamente, prezar pelo bem do todo.

Alguns chegam a acreditar que a parte é o todo! Mas todos vivem de querer tudo de valor para si, merecendo ou não, e o resto que se dane, merecendo ou não.

O objetivo aparentemente almejado é a tranquilidade material e espiritual. Porém, quem aceita deixar a vida se levar dessa forma, corre o risco de que o diabo a carregue.

Por isso, quem quer ser independente tem dificuldade em aderir a partidos políticos e outros grupos afins, e paga um preço alto por isso, pois, enquanto os outros disputam 100 metros rasos, com cartas marcadas, eles são submetidos a constantes testes, numa infindável corrida de obstáculos.

Só que a perda de independência de pensamento nunca valerá o preço da conveniência material ou pseudo-espiritual.

No mais, a condição básica para pertencer à parte é segregar e discriminar quem não faz parte dela.

Quando Cristo disse: “Quem não é por mim, é contra mim!” falava na condição de todo. As “partes”, no entanto, usam esse mote erroneamente. O resultado é que o todo se perde em partes, que disputam entre si, nunca pelo bem de todos, mas para tentar prevalecer, sem a mínima intenção de buscar a igualdade original. A igualdade, aliás, faz parte do discurso de todos, mas nunca é praticada.

Com raras exceções, os que progridem em suas hierarquias, acreditam atingir, vaidosos, estágios mais evoluídos da existência humana, quando, na verdade, só demonstram a fragilidade e baixeza de seus princípios, por acreditarem serem superiores ao semelhante.

Então, se Deus não vê diferenças entre nós, por que insistimos em multiplicá-las?

A verdade é que somos todos iguais! Mas essa verdade não interessa para quem quer ser diferente, não importa no que se transforme e no quanto prejudicará ao próximo para saciar seus desejos e intentos.

Só que a verdadeira grandeza não está em rivalizar ou superar os arrogantes poderosos, mas em ser veículo para a eliminação dos entraves ao livre desenvolvimento da humanidade.

E qual é a efetiva contribuição da maioria dessas partes para o projeto de um mundo melhor, lembrando que esse mundo não se resume, apenas, a seus de familiares e correligionários?

Até onde estão preparadas para repartir o pão: material, intelectual e espiritual, em vez de só distribuir migalhas, em troca de submissão e favores?

Essas perguntas só poderão ser respondidas por quem tiver autonomia de pensamento, coerência e imparcialidade, ou seja, quem esteja integrado e seja partícipe do todo!

O resto é parte… Poderosa, às vezes… Mas, sempre, parte!

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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