O verdadeiro antídoto para os que não gostam de literatura

Infelizmente muitas pessoas dizem que não gostam de literatura, falam que ficam entediadas perante as palavras no papel, consequentemente acabam deixando de lado todo um universo regado por cultura e prazer. Para aqueles que ainda não descobriram o prazer que uma obra literária é capaz de proporcionar, indica-se como leitura o livro de crônicas “Uns papéis que voam” do autor catarinense Flávio José Cardozo.

f04e110294753b78301686df9f4369599cfcc21fNo total são 58 textos curtos, divertidos e escritos numa linguagem coloquial, assim sendo, ‘Uns papéis que voam’ é a resposta concreta para aqueles que se perguntam qual a obra certa para despertar no leitor a vontade de incorporar o hábito da leitura ao seu cotidiano.

Encontramos no livro ‘Uns papéis que voam’ elementos como originalidade e humor, desse modo, Flávio José Cardozo oferece o melhor antídoto para aqueles que não gostam de ler ou que simplesmente ainda não descobriram o prazer que um livro pode proporcionar. Na crônica ‘Melhorou-la’ o autor exalta os encantos verbais dos habitantes do nosso estado, enxergando poesia na fala de seu Timotinho, velho morador da Vargem do Bom Jesus, que ao querer conceituar favoravelmente alguém, com inesperada e graciosa aritmética o qualifica como um sujeito seis por cento. É a partir do falar simples e da palavra inusitada dos mais humildes, que o autor catarinense extrai matéria-prima para construção de uma crônica singela e poética. Após o término da leitura de ‘Melhorou-la’, é impossível não sentir o eco das palavras de Flávio José Cardozo, que logo no primeiro parágrafo confessa: “Não nos cansamos nunca do prazer que vem da palavra.”

Em ‘Disque Amizade’ o autor constrói habilmente uma atmosfera introspectiva e melancólica na história de um aposentado solitário, que parecia não ter mais o que fazer além de ir para a janela olhar a vida passar, mas de repente tudo muda a partir de uma conversa no telefone, consequentemente a história ganha outros ares e nos provoca novos efeitos sensoriais.

‘Da arte de comer melancia’ é um dos textos mais poéticos do livro, já que o autor conta com extrema maestria e de forma nostálgica sobre uma recordação em especial que tem de seu pai, esse que na lembrança do autor era um verdadeiro artista na arte de se comer melancia. O autor narra de forma detalhada e singela sobre todo o ritual que seu pai realizava no corte de uma melancia, desse modo, se tem na essência do texto a ideia de que é através do tato que o amor se realiza. É através do modo como um pai prepara o alimento para o seu filho que podemos observar o laço de carinho e afeto entre os dois seres:  “O modo de meu pai partir a melancia era, penso eu, o mais lógico e usual entre as pessoas de sentimento e bom senso. Só que ele  fazia tudo com muita compenetração, como se estivesse desmanchando um relógio de ouro. Deitava a fruta, cortava-lhe uma ponta, cortava outra e, com precisão máxima, rasgava-a em talhadas regulares, iguais entre si em largura e profundidade.”

‘ Uns papéis que voam’ é um daqueles livros que fazem os leitores se viciarem em literatura e sair procurando por outras obras de Flávio José Cardozo, além disso, após a leitura realizada tem-se a vontade de um dia poder escrever igualzinho ao autor catarinense. Não custa nada sonhar!

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