O Vingador

Nos anos 1940, a multinacional Colgate Palmolive- responsável por produtos, como por exemplo, creme dental, escova de dente e sabonete- apostou fichas em O Vingador, um cow-boy mascarado, Waldir Wey, que tinha por companheiro o índio Calunga, vivido pelo José Scatena.
Por Ricardo MedeirosA mocinha era Agnes Aires e um dos bandidos era Ruy Amaral. Toda produção dessas aventuras ficava a encargo da empresa de publicidade Standard Propaganda , com estúdios em São Paulo à rua Senador Feijó.

Como o volume de trabalho era grande, a agência tinha que fazer gravações do Vingador durante o período da noite. Num desses serões, em 1941,  fazia muito calor e a produção decidiu deixar a janela aberta enquanto gravava mais uma aventura. No episódio registrado a mocinha estava gritando, pois passava por um grande perigo : amarrada a um tronco de árvore seria serrada ao meio pelos bandidos-masoquistas, que gargalhavam ao ver o trágico fim do personagem feminino. Com gritos da mocinha, risadas dos bandidos, tudo isso misturado a um cão latindo, os vizinhos do prédio da Standard ficaram aparavorados, acreditando que um verdadeiro crime seria cometido, bem ao lado deles. A polícia foi acionada e a produção do Vingador teve que esse explicar para o delegado, que aquilo era ficção, que não era verídico, que aquilo era radioteatro, eram cenas da série preparada para no dia seguinte estar nos lares dos paulistanos.

O programa diário de 20 minutos tinha até um clube, o Clube do Vingador, cujos sócios recebiam uma série de recordações do seu herói. Através dos jornais, os fãs de O Vingador deveriam preenher um cupom que tinha o seguinte juramento : « Juro ser sempre honesto e defender os fracos contra os fortes ! ». Com isso, os ouvintes se tornavam sócios do Clube do Vingador e ganhavam um distintivo do seu herói preferido, feito de aço esmaltado em cores. Os sócios tinham direito ainda a uma senha secreta que permitia que os membros do clube se identificarem entre entre les, bem como a um jornalzinho colorido, com aventuras em quadrinhos do Vingador. Esta era uma estratégia de marketing que encontrava os seus adeptos principalmente entre os meninos. A garotada não media esforços para adquirir as lembranças colocadas no mercado pela Colgate-Palmolive.

Por sua vez, a Gessy, empresa especializada em produtos de toalete,  transmitia um conselho de segunda à sexta-feira, dentro da sessão O Homem Pássaro, um seriado que passava na Rádio Nacional, às 17h30 :«Rapaz, ouça bem esse conselho. Se você deseja ser forte e varonil, siga esses passos de salutares métodos. Levante-se cedo, faça pelo menos quinze minutos de ginástica sueca, faça alguns minutos de corrida acelerada e, finalmente, dirija-se para o banheiro e tome o seu banho com o sabonete Gessy […] Seguindo esse método, você será um rapaz forte e sadio, tornando-se um perfeito atleta e um admirável defensor da ordem e da justiça ». 

Este texto  era lido na abertura das aventuras do mocinho voador e era lido em tom didático, como uma lição de higiene e de saúde. De acordo com a historiadora  Lia Calabre o texto publicitário trazia em seu bojo também um espírtio nacionalista. Primeiro, porque desde 1937, por ordem do governo Vargas, estava presente nos currículos escolares a disciplina de educação física, com a intenção de manter em forma os alunos.

Segundo, porque no período de transmissão do seriado, 1944-1945, o país estava envolvido na segunda Guerra Mundial. Assim sendo, « todo jovem deveria querer ser forte, varonil, sadio, um perfeito atleta e um defensor da ordem e da justiça ».


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