O Vinho e o rádio

Dois amigos meus – Hamilton Flôres e José Lino Souza Barros – são o destaque de hoje, caro leitor e, através deles, falo sobre dois temas: os vinhos produzidos em Portugal e o trabalho realizado pela Rádio Itatiaia.
Por Nair Prata

Vamos começar pelos vinhos. Há algum tempo eu comentei aqui na coluna que não tomo bebida alcoólica e o meu amigo Hamilton Flôres, professor de fotografia do Uni-BH, ficou inconformado com a minha abstinência, já que eu estou morando em Portugal e, para piorar, pertinho da cidade do Porto. O Hamilton me enviou então, pelo Correio, o livro “O Vinho no Gerúndio” que eu tive o prazer de literalmente “devorar” esta semana.
 
Na dedicatória, o meu amigo escreveu: “Para a Nair, como aperfeiçoamento da teoria; a prática, nada melhor do que desenvolvê-la na terra do vinho – Portugal”. O livro é do médico e enólogo mineiro Júlio Anselmo de Sousa Neto que, num texto delicioso, fala sobre incontáveis temas ligados ao vinho, como tipos de uvas, gafes, brincadeiras, religião e até frases de pessoas famosas.

 
Dr. Júlio Anselmo de Sousa Neto (Academia do Vinho), com o Presidente da OIV, Sr. Félix Aguinaga (Argentina) e a Sra. Carolina Arnello (Chile), Presidente da Associação Chilena de Enólogos.

Lendo o livro, eu fui selecionando as passagens mais interessantes sobre os vinhos portugueses:
 
– Portugal produz 80% das 22 bilhões de rolhas anuais do mercado mundial. Sobre as rolhas das garrafas de vinho, o autor explica que hoje há uma verdadeira guerra entre os que defendem a permanência da tradicional rolha de cortiça e aqueles que querem o domínio da rolha sintética;
– Uma vinícola da região do rio D’Ouro, berço do vinho do Porto, encontrou uma maneira inusitada para envelhecer o precioso líquido: colocou uma grande gaiola -contendo garrafas de vinho – submersa no fundo do rio Côa, a 25 metros de profundidade, durante dois anos;
– Uma outra vinícola colocou 14 tonéis com 550 litros de vinho pare envelhecer numa cave próxima ao aeroporto. Segundo a divulgação da vinícola, “o ruído e a trepidação das aeronaves em nada prejudicam o envelhecimento, porque o vinho do Porto não deve estar totalmente sossegado…”
– Vinho verde é o nome que se dá aos vinhos da região dos “Vinhos Verdes”, aqui em Portugal e eles podem ser brancos ou tintos. Apenas as garrafas são verdes;
– O melhor vinho espumante de Portugal, segundo o autor do livro, é o “Murganheira”. Já os melhores vinhos brancos secos daqui são os das regiões do Alentejo, Dão, Bairrada e dos Vinhos Verdes;
– O rosé português “Mateus” já foi o vinho mais vendido do mundo;
– O vinho do Porto foi o primeiro vinho do mundo a ter região de origem demarcada, nas colinas do rio D’Ouro, por decreto do Marquês de Pombal, em 1756;
– O vinho português “Barca Velha” é um mito para qualquer enófilo: o nível de qualidade na fabricação é tão grande que o vinho só é produzido nas safras excelentes;
– Os vinhos de Portugal têm nomes portugueses mesmo, sem ficar imitando os nomes italianos ou franceses. Os vinhos aqui se chamam “Barca Velha”, “Cova da Ursa”, “Ferreirinha”, “Má Partilha”, “Pêra Manca”, etc;
– O poeta Fernando Pessoa escreveu sobre o vinho “Troca por vinho o amor que não terás. / O que esperas, perene o esperarás / O que bebes tu, tu bebes. Olhas as rosas. / Morro, que rosas é que cheirarás?;
– Por fim, quero comentar a razão do título do livro. “O Vinho no Gerúndio” é uma homenagem a Portugal, que o autor chama de sua segunda pátria, precisamente uma homenagem ao Alentejo, a única região portuguesa que usa os verbos no gerúndio, como no Brasil.
 
Minha estada em terras portuguesas pode ainda não ter me ensinando a apreciar o vinho, mas me deu a oportunidade de, pelo menos, ler e saborear um delicioso livro sobre o assunto!
 
Um outro amigo meu que é tema da nossa conversa de hoje, leitor do Caros Ouvintes, é o radialista José Lino Souza Barros. Estou muito feliz porque vou acompanhar o meu amigo na cobertura das cerimônias da Semana Santa no mês que vem no Vaticano. Há mais de 30 anos José Lino realiza esta cobertura em Roma e, neste ano, eu terei o imenso prazer de estar ao lado dele.


Diariamente levando o ‘Rádio Vivo’ até você.

José Lino é uma lenda do rádio mineiro. Ele comanda um dos principais programas da Rádio Itatiaia, o “Rádio Vivo”, que eu tive a sorte de produzir durante 14 anos. Ele tem uma voz e uma forma de comunicar inconfundíveis e quando abre o programa, de segunda a sábado, com o seu “bom dia, uma bela manhã pra você”, não há quem não se sinta invadido pela magia inigualável do rádio.
 
Aprendi muito com o José Lino, observando-o trabalhar durante anos a fio. Ele conhece, como poucos, as potencialidades do rádio, principalmente da Itatiaia, e utiliza estas ferramentas com maestria. Sob a sua batuta, as manhãs do rádio mineiro têm uma cor especial, desenhadas pelo seu talento e sua competência.
José Lino está na Rádio Itatiaia praticamente desde a fundação da emissora, que nasceu na pequena cidade mineira de Nova Lima, em janeiro de 1952. A Itatiaia hoje é uma das grandes estações do país e, em Minas Gerais, é imbatível num quesito que eu considero fundamental numa rádio: credibilidade. Outro tesouro que a Itatiaia tem é o relacionamento com os ouvintes. Na minha dissertação de Mestrado analisei a fidelidade dos ouvintes a uma emissora de rádio e o meu foco foi sobre o público da Itatiaia. Foi delicioso ouvir os depoimentos de pessoas que têm a Rádio Itatiaia quase como um membro da família…
 
Na abertura deste texto eu falava sobre o vinho e da minha pouca intimidade com a bebida. No entanto, quero encerrar contando um dos grandes prazeres que eu tenho – que certamente deve ser compartilhado com os leitores do Caros Ouvintes: ouvir rádio. E, mais do que isso, ouvir rádio de qualidade, ouvir belas vozes no rádio, ouvir a Rádio Itatiaia, ouvir o “Rádio Vivo” e ouvir o José Lino Souza Barros. É um prazer que merece ser brindado!
Sites relacionados:
Clique e ouça: http://www.itatiaia.com.br/
Conheça: http://www.academiadovinho.com.br/avaliacao2000/presencas.htm
 


{moscomment}

0 respostas

Deixe um comentário

Gostaria de deixar um comentário?
Contribua!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *