Olímpio Sebastião Silva, a volta de um boêmio

No dia 20 de janeiro de 1932, em pleno dia de São Sebastião, nasceu em Florianópolis um menino loiro com fortes olhos azuis que foi batizado de Olímpio Sebastião Silva.

[ José Ricardo Tavares ]

Olimpio Sebastiao Silva 2Por ser a sua família de origem humilde, nem mal saiu da infância já estava trabalhando para ajudar no seu sustento e dos seus cinco irmãos – Maria das Dores, Maria de Lurdes, Antônio José, Clemente Pedro e Teresinha de Jesus.

Na adolescência, conta que dividia o único sapato de que possuía com o irmão Clemente. Cada um calçava um pé do sapato enquanto no outro era disfarçado um curativo para justificar o uso de um chinelo. Dessa forma não podia ficar perto um do outro durante as matinês do antigo cine Odeon. Após trabalhar no armazém do seu Rodrigo localizado na tradicional rua General Bitencourt, no centro de Florianópolis, foi ser vendedor, trabalho em empresas não menos tradicionais como a Machado & Cia, Copacabana Móveis, Cia Hoepcke e lojas Koerich. Como comerciário do Koerich, em 1974 ganhou o prêmio Destaque SESI como melhor vendedor de Santa Catarina.

Olimpio Sebastiao Silva 3Além de se destacar como um exímio vendedor há, porém, um lado mágico na história de vida do Olímpio. Desde criança o seu “Queridinho” apelido carinhoso dado pela sua filha Eleonora, se destacou nas aulas de cantos das escolas onde estudou – Silveira de Souza, Lauro Müller e Dias Velho. Com o incentivo dos professores e de amigos, passou a participar efetivamente dos antigos programas de calouros da Rádio Guarujá e Rádio Diário da Manhã, o que o levou a ser convidado a cantar em diversos eventos sociais.

Como cantor, ganhou nos anos 1960 o prêmio Voz de Ouro ABC do Brasil, patrocinado pela antiga e já extinta Fábrica ABC de Rádio se Vitrolas, quando defendeu e representou em pleno Teatro Municipal de São Paulo o nosso Estado.

Olimpio Sebastiao Silva 4Em 1970,  ganhou o Festival Internacional SESC de Música. O tempo, logicamente passou, “Queridinho” se aposentou como comerciário e como cantor, mas mesmo com 82 anos nunca deixou de “rememorar” os muitos momentos felizes que sempre teve em sua vida de cantor – como mostram as suas fotos. Em 1970, numa festa de Páscoa patrocinada pelo SESC, realizado no antigo Ginásio da Federação Atlética Catarinense (FAC) fez uma bela apresentação como vocalista do conjunto Carlinhos e seu Regional, que teve como destaques no órgão na menos do que o pianista Aldo Gonzaga e o apresentador do evento o repórter de rádio e TV, Walter Souza.

Na outra foto de 1980, aparece participando de uma apresentação na Associação Recreativa Koerich. Por último e para provar o que diz a música de Adelino Moreira eternizada na voz do cantor Nelson Gonçalves – A Volta do Boêmio (boemia) o “Queridinho” aparece recentemente na festa de casamento de uma de suas filhas, onde emocionou e foi aplaudido de pé quando de microfone em punho voltou “pra rever os amigos que um dia” ele deixou “a chorar de alegria”. Reprodução de fotos do acervo da família.

José Ricardo Tavares | Professor da Unisul, morador de São José. Diário Catarinense | Memórias | O passado valeu a pena | A seção O Passado Valeu a Pena é publicada todos os domingos, com a colaboração de leitores. Para participar, envie uma foto antiga e conte em até 20 linhas as lembranças que você tem dela para o e-mail [email protected] | As colaborações podem ser enviadas também por carta, para o endereço: SC 401, Nº 4.190, torre A, Saco Grande, Florianópolis, CEP 88032-005. A participação é gratuita.

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