ONDE ESTÃO AS MELODIAS?

Está cada vez mais disseminada a prática de uso de play-backs  tanto no rádio como na Televisão. E também nos spots e jingles publicitários. Hoje, com a devida permissão do autor, reproduzimos praticamente  a coluna do Zelão, competente produtor de áudio de São Paulo,  publicada no Caderno de Propaganda e Marketing do dia 27 de novembro.
Chico Socorro

“Onde estão as melodias?
Você liga a TV ou o rádio e ouve somente play-backs.
Explico: quase não existe mais uma trilha que tenha uma definição melódica, é só a base. A música então fica sem nenhuma identidade, sem nenhuma personalidade, é só um fundo branco infinito, sem cor, entendem?
Virou mania colocarem um polvo para tocar bateria. O baterista tem só duas mãos e dois pés, porém, nas gravações atuais parece que tem oito de cada membro.Fica aquela coisa esquisita de se ouvir. Três bumbos, quatro chimbaus, oito pratos, cinco caixas e o escambau, não dá não minha gente. Como quase tudo hoje é feito por teclados, deveria haver um pouco mais de respeito com cada instrumento colocado numa gravação. Deve-se respeitar também a tessitura de cada instrumento tocado.
É um tal de violino virar uma viola ou cello, é um tal de trombone virar trompete e tantos outros absurdos que a gente ouve por aí. Eu sei que na ânsia de buscar novos sons para suas trilhas, os trilheiros tem recorrido a esses absurdos musicais. Que tal fazer a coisa de modo mais honesto hein?
Já que quase não se tem usado mais músicos em gravação, que pelo menos se respeite o som que os instrumentos musicais possuem de verdade.
Junto a isso tudo, o pedido encarecido para que as músicas tenham uma linha melódica, algo que fique nos nossos ouvidos, e não só um play back insosso e sem vida.
Gostaria de pedir aos RTVs das agências que procurassem ouvir mais e mais as grandes trilhas compostas por compositores de filmes.
Vocês iriam acrescentar muito ao seu currículo auricular.
Ao prestarem atenção as trilhas sonoras, vocês verão a magia da musica fazendo o filme fluir em todas as suas nuances. Nem todos tem o cuidado de ao ver um filme, prestar atenção na trilha sonora dos mesmos. Então façam o seguinte: tirem o som, e depois preste atenção a cada detalhe musical em cada cena. Vocês irão acrescentar e muito ao porque de uma trilha sonora é tão importante no filme. Alias, nós que mexemos com som, sabemos que uma trilha sonora é cinqüenta por cento do filme.
Sei que todas as afiliadas a Aprosom possuem maestros com talento e criatividade para se fazer uma boa trilha para um comercial. Então vamos deixar os meninos trabalharem com mais músicos. Tenho absoluta certeza que o produto final ficará bem melhor com a utilização deles, que são maravilhosos e capazes.
Nada é comparado ao solo de uma flauta, de um sax, de um trombone, etc, etc.
Uma trilha gravada com uma melodia solada por qualquer instrumento ficará muito mais bonita, com alma.
Não quero, e nem sou louco de pedir para pararem com os teclados. Infelizmente eu sou obrigado a reconhecer que os orçamentos não dariam hoje para se colocar uma orquestra num estúdio de gravação, porém unzinho que seja dá, não é mesmo?”.
É óbvio que endossamos a manifestação do Zelão.


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