ONU “alarmada” com assassinato de jornalista em São Luís do Maranhão

Em nota, escritório do Alto Comissariado de Direitos Humanos afirmou que com a morte de Décio de Sá sobe para “pelo menos quatro o número de jornalistas assassinados no país somente este ano”

MÍDIA | Mônica Villela Grayley, da Rádio ONU em Nova York*

Décio Sá (Crédito: jornal 'Estado do Maranhão')

O Escritório do Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU emitiu uma nota condenando o assassinato do jornalista Décio Sá, 42 anos. O porta-voz do Alto Comissariado, Rupert Colville, disse que o órgão está “alarmado” com a morte de mais um jornalista no Brasil. Colville afirmou que, com o assassinato de Décio Sá, em São Luís do Maranhão, sobe para pelo menos quatro o número de jornalistas mortos no país somente este ano. Sá trabalhava como repórter investigativo para o jornal  “Estado do Maranhão”. Ele escrevia sobre corrupção, política e o crime organizado. O assassinato ocorreu na segunda-feira num bar da capital do Maranhão, São Luís. Segundo testemunhas, ele falava ao celular quando foi alvejado a tiros por um homem, que saiu do banheiro do bar, disparando. Ainda segundo a mídia local, o assassino fugiu numa moto pilotada por um outro homem.

O chefe de reportagem do jornal “Estado do Maranhão”, Daniel Matos, contou à Rádio ONU, de São Luís, que nunca ouviu falar sobre ameaças ao jornalista.

“Se ele recebia (as ameaças), ele não externava isso para ninguém. O Décio era uma pessoa muito reservada no que se refere ao trabalho que ele tinha de apuração. O que o Décio fazia, o que o trabalho dele repercutia, a gente só conhecia depois que ele publicava. A relação dele com as fontes ou possíveis ameaças, a gente não tem conhecimento porque ele não externava muito. E por incrível que pareça, era uma pessoa que conversava bastante com a gente.”

O porta-voz disse que o Alto Comissariado da ONU está preocupado com o crime que aparenta ser uma tendência perturbadora de assassinatos de jornalistas, o que segundo ele está prejudicando a liberdade de expressão no Brasil.

Rupert Colville disse que o órgão está, há muito tempo, preocupado com a situação de defensores dos direitos humanos incluindo jornalistas no Brasil, e com o direito que eles têm de fazer seu trabalho sem medo de intimidações ou ações piores.

Ele terminou a nota elogiando as autoridades do Maranhão por iniciarem uma investigação, e disse que o governo deve implementar, imediatamente, medidas de proteção para evitar novos casos.

*Com reportagem de Leda Letra.

 

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