Opção pelo povão… E agora?

selo-peco-sua-atencaoHouve, ainda há uma expectativa de que o mapa da mina está na classe C, o chamado povão, classe que ultimamente teve um razoável incremento com a emergência de um bom percentual da classe D, impulsionada pelos programas governamentais dos últimos comandantes do país.

A maioria dos canais de rádio já havia decidido pelo povão quando passou a transmitir em tempo integral o sertanejo de mau gosto que tomou conta dos receptores. Um pouco mais tarde, a tevê fez o mesmo. Seus programas, salvo raríssimas exceções, são direcionados para o povão.

E ultimamente também os jornais, não todos, mas muitos deles baixaram o padrão de suas matérias e se voltam para o povão, inclusive no que diz respeito ao apoio ao futebol.

Está muito difícil a alguém que não aprecie o sertanejo e coisa e tal, ouvir rádio de qualidade, como, por igual, assistir algo na tevê sem topar com as novelas e outros programas voltados para as preferências do povão.

E os jornais? Dá uma olhada nas bancas. O que são as suas manchetes, as suas fotos, as suas coberturas? O baixo mundo da violência e da sacanagem lá está diária e completamente.

Não poderia dar noutra coisa: o incentivo ao consumo da classe C, as vantagens da “minha casa, minha vida”, os cartões de crédito e sabe-se lá mais o quê, e o povão pegou pesado e hoje apresenta altíssimo nível de endividamento e inadimplência.

Quem diria! A classe que era apontada pelo SPC como a mais cumpridora das suas obrigações financeiras, agora tem quase 50% de inadimplência.

Caem as vendas de carros usados e, por conta disso, se retrai o mercado de novos. O que mais vem atrás disso? Muita coisa, desde as vendas de gasolina até o pãozinho francês. Ainda bem quanto aos carros, pois as ruas do Brasil já não têm mais vaga pra nenhum novo dono do primeiro carro. Reduz-se o consumo em geral, sobe o juro, segura os salários, vêm as greves, cai o PIB.

Eta Brasil varonil.

Esta crise em curso é muito mais profunda do que imaginamos.

Mas, de uma coisa podemos ter alguma certeza: o rádio, a tevê e os jornais voltados para o povão terão de repensar seus filões de mercado. Será que teremos de volta àquele jornalismo e àquela programação que reflitam a realidade de nosso país e não apenas os gostos de uma fatia dos seus habitantes?

O rádio brasileiro, por exemplo, já ocupou o primeiro lugar na tarefa de promover a integração cultural desta nação-continente. Num determinado momento, o interior caipira tomou conta de tudo e arrastou consigo um modo “sertanojo” baiano, carioca, paulista, mineiro, gaúcho de fazer música chorando o fracasso com a mulher e enaltecendo o homem galinha.

Acabou esse tempo. Tudo o que é demais, enjoa. A taça transbordou. A crise vai botar o trem nos trilhos. Ainda bem.

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