Os 65 anos da edição gaúcha do Repórter Esso

A PRH-2 – Rádio Farroupilha não poupou estardallhaço em julho de 1942 para anunciar a estréia da edição gaúcha do já principal noticiário brasileiro. Fora chamadas ao longo da programação, a emissora mandou publicar anúncios nos grandes jornais de Porto Alegre. Por Luiz Artur Ferraretto

Estava lá, em letras garrafais “R-E-P-Ó-R-T-E-R  E-S-S-O” encimadas por uma frase chamativa “Começa hoje o mais completo serviço de informações radiofônicas”, prometendo, ainda, as “últimas notícias de todo o mundo”. Um texto em caracteres menores explicava aos mais desavisados:
Agora também no Sul do Brasil, através das antenas da Rádio Farroupilha, poder-se-á ouvir o já famoso “primeiro a dar as últimas”, Repórter Esso, jornal especializado em apresentar diariamente o que houver de mais recente em telegramas sobre a situação mundial. Serviço telegráfico especial da United Press.


Anúncio (16 de julho de 1942).

Assim, há 65 anos, em 16 de julho de 1942, estreava a edição gaúcha daquele que até meados da década de 1960 seria o principal informativo do rádio brasileiro.  Desde agosto do ano anterior, o Esso já era apresentado no centro do país. Neste período inicial, possuía apenas duas versões no país: a da Nacional, no Rio de Janeiro, e a da Record, em São Paulo. A estréia da edição na Farroupilha fazia parte de uma estratégia de expansão que incluía, ainda, as rádios Inconfidência, de Belo Horizonte, e Clube de Pernambuco, de Recife. À exceção de um breve período em 1945, quando a Farroupilha cessa suas transmissões por imposição governamental e o noticiário transfere-se para a Difusora, o informativo é transmitido pela PRH-2 até 31 de dezembro de 1964. De 1942 a 1949, Ruy Figueira ocupa a locução exclusiva do Esso no Rio Grande do Sul.


Ruy Figueira (1937).

Quando ele deixa o noticiário, alguns profissionais ocupam interinamente o posto, com destaque para Iran Ribeiro. Um concurso ocorre em abril de 1950, com 18 candidatos inscritos. Os testes gravados em discos de acetato são enviados para o Rio de Janeiro, onde representantes da Standard Oil Company e da McCann-Erickson – agência de publicidade detentora da conta da companhia petrolífera – escolhem Lauro Hagemann, que fica no posto até a última edição da versão gaúcha do noticiário pela Farroupilha.
O Esso ainda vai ter um sobrevida de 1965 a 1966 na Continental, que, tempos antes, havia passado ao controle da família Marinho, a mesma da Rádio Globo, do Rio de Janeiro. Eram outros tempos e mesmo com a correta locução de Marino Cunha, sairia do ar em definitivo, também pelo próprio desinteresse do patrocinador em dar continuidade ao noticiário.

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Por Luiz Artur Ferraretto

Nasceu e cresceu ouvindo rádio e as histórias do rádio. Aos poucos foi descobrindo que não queria ser só ouvinte. Formou-se em jornalismo pela UFRGS e começou a trabalhar no rádio. Doutor em Comunicação e Informação é professor do curso de Jornalismo da Universidade de Caxias do Sul/RS. É autor de vários livros.
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