Os agitados tempos de antigamente continuam agitando

Vivemos a grande ilusão de que estamos sendo consumidos pela voracidade de dias turbulentos, insertos e inseguros neste início de terceiro milênio.

imagesEsquecemos dos percalços, inseguranças, tropeços e toda uma gama de arbitrariedades, tragédias e maldições que rechearam nosso passado e de todas as gerações que nos antecederam. Basta um pequeno, mas atento, olhar para os acontecimentos que se sucederam a partir do momento em que a Família Real Portuguesa chegou ao Brasil. O “berço esplendido” em que vivia a terra brasilis virou um pandemônio em que o jugo dos valores europeus se sobrepunha à languidez das águas de nossos rios até a inocência e passividade dos índios, que de senhores das terras passaram a inimigos da Corte.

E o que tem a ver a memória da propaganda com as histórias escabrosas do passado? Em primeiro lugar, tem a ver com o clima bélico que predominou – e continua – desde aquela época até os dias de hoje. E, pelo andar da carruagem, a pauleira vai continuar.

Mas havia, também, muita gente inconformada com os obstáculos criados pelos detentores do poder como, por exemplo, o cidadão Jerônimo Francisco Coelho, fundador do primeiro jornal a circular em Santa Catarina, em 28 de julho de 1831. O jornal O Catharinense “circulou na antiga Desterro com um forte conteúdo político” (Moacir Pereira, 2000).

O jornal, como empresa, tinha custos e então passou a aceitar a publicação de anúncios pagos. E isso é o que nos interessa.

O Catharinense e os jornais que o sucederam até o final da década de 1920 quando Santa Catarina passou a se interessar pelo rádio, foram, de fato, o nosso campo de experiências até chegarmos à implantação da indústria da propaganda catarinense. O início da maturidade da propaganda em Santa Catarina ocorreu com a criação, da Walro Publicidade de Waldir Ribeiro, em 1957, em Joinville, seguido da fundação da Wali Publicidade do Walter Linhares, no ano seguinte e a A.S. Propague que fundei em sociedade com o Rozendo Vasconcelos Lima, em 1962.

Se é verdadeiro que os jornais foram o lastro que deu curso ao uso da propaganda, primeiro na Capital e depois em outras cidades do Estado, o tempero desse prato foi dado por fotógrafos, escritores, poetas e artistas plásticos que muito contribuíram para diversificar e qualificar a publicidade feita em cinemas, bares, restaurantes e alto falantes nas praças e capotas de automóveis que rodavam os quatro cantos da cidade – do centro aos bairros e subdistritos mais distantes.

Moacir Pereira, no artigo A Mídia, publicado no livro A Realidade Catarinense no Século XX, pelo Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina, em 2000, resume a evolução dos meios de comunicação catarinenses em duas grandes fases: “aquele em que há o predomínio dos jornais nos primeiros (…) e a que vem evidenciada pela instalação e expansão das emissoras de rádio e televisão”. Com relação a evolução da estrutura desse mercado, Moacir cita que para chegarmos ao estado a mídia catarinense “passou por seis estados bem nítidos: fundação, expansão, modernização, profissionalização, regionalização e digitalização”.

Desses estágios, destaco o quarto item que fala da profissionalização por ser fundamental para o entendimento do que também aconteceu com as áreas de comercialização das empresas de comunicação, no período considerado. “Os investimentos milionários realizados na implantação ou modernização de jornais e emissoras de televisão ditaram novas formas de atuação dos profissionais. A atividade até então exercida como bico, passou a exigir maior dedicação e constante aprimoramento técnico. Os exemplos vitoriosos de dois jornalistas são apontados como uma das causas motivadoras: Adolfo Zigelli, no rádio em Florianópolis, e o professor Nestor Fedrizi, no jornal em Blumenau. A chegada da RBS, que já no Rio Grande do Sul encarava a mídia como empresarial, também contribuiu para as mudanças. A criação do curso de Jornalismo na UFSC foi outros fator de real significado”.

A par disso, nas áreas profissional e empresarial da propaganda, também se saia do amadorismo – o eugência – para o negócio da propaganda. Foi um pouco mais doloroso e demorado o processo de qualificação e consequente reconhecimento da evolução dos serviços publicitários oferecidos ao mercado. Até porque, o primeiro curso de Publicidade e Propaganda em Santa Catarina só foi criado pela FURB – Fundação Regional de Blumenau, em 1990.

Este artigo faz parte da série Apontamentos para a História da Propaganda em SC

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