Os anos 80 e os lançamento de LPs locais

Os anos 1980 começaram fervilhantes em Floripa, deflagrando os lançamentos dos primeiros discos de vinil (LPs) das bandas locais, como Grupo Engenho, Grupo Expresso Rural e Banda Tubarão.

Vou bota meu boi na ruaEm paralelo, mas sem discos gravados, outras boas bandas surgiram e participaram de shows ao ar livre, a maioria produzida por Antonio Cabrera, como a banda Vanaheim, antes Cogumelus Rock (do Bruno Medieval), Asa de Morcego, depois Olho de Gato (de Fernando Bahia), Decalcomania (do Iran), Olho D’Água (do Renato Botelho), Sobrinhos de Beethoven (do Carlos Trilha), Alta Voltagem, Banda de Neutrons, Karroussel e dezenas de outras.

Pode-se dizer que, desconsiderando LPs de corais, hinos com bandas marciais, e os de Luiz Henrique Rosa (nos States, exceto “Mestiço”), o Engenho foi o primeiro a lançar seu “Vou Botá Meu Boi Na Rua”, em 1980. No ano seguinte lançaram o LP “Engenho” e em 1983, “LP Força Madrinheira”.

Nesse ano, o Expresso Rural vem com “Nas Manhãs do Sul do Mundo” e, no ano seguinte, com “Certos amigos”, enquanto o Tubarão, ainda chamado Ratones, bota na rua o LP “Ratones”.

Outro bom trabalho foi realizado por Beto Mondadori em trabalho solo com sua “Ruas da Cidade” e pelo compositor e cantor Rogério Orosko. Estava aberto o mercado local para nossos artistas.

Músicas como “Barra da Lagoa” (de Orlando Mello, o Neco) com o Engenho, e “Nas Manhãs do Sul do Mundo” e “Flodoardo”, com o Expresso, foram sucessos retumbantes na Ilha e no resto do Estado, ultrapassando fronteiras, e até hoje são executadas nos bares da noite florianopolitana e inclusa nos repertórios de shows.

A partir de 1984, surgem as primeiras coletâneas locais, com destaque para os LPs: “Som da Gente”, trazia composições locais como “Som da Gente” e “Ave Ligeira” (de Zuvaldo Ribeiro) com Frank, “Menininha” com Zuvaldo Ribeiro e Grupo Grande Pássaro, “Olho d’água” – Olho D’água, “Tom Natural” e “Nas manhãs do sul do mundo” com Expresso Rural, “Apaixonado” e “Quando morre a tarde” com Regional do Zequinha, “Suco de imaginação” com Beto Mondadori, “Braço Forte” e  “Meu Boi Vadiou” com Grupo Engenho, com Regional do Zequinha, “Aquarela do Brasil” com solo de violão de Ricardo Boppré, pelo selo RBS TV.

– “Projeto Ilha” – idealizado e lançado por Chico Thives, baterista do então extinto Grupo Engenho, em seu Estúdio Mix, financiado pelos próprios músicos, dando oportunidade às novas bandas da Grande Florianópolis, como Camisa de Força, Seixo Rolado, Século Astral, Anjo, Sobrinhos de Beethoven e o próprio Chico.

– “Crime Perfeito” – como Decalcomania, Alta Voltagem, Vanaheim, Olho D’Água, Olho D’água e Big Ben, Beto Mondadori, Daniel Lucena e Fernando Bahia. Estavam à frente da empreitada Beto Mondadori, Daniel Lucena e Ricardo Pilatti. Foi, talvez, o maior trabalho de divulgação prévia de um disco na Ilha, com grandes cartazes espalhados nas paredes da cidade muitos meses antes do lançamento. Anunciavam um crime perfeito, sem dar detalhes de que seria um disco, causando grandes interrogações e expectativas em que lia o anúncio.

Coloco Daniel Lucena, ao lado de Zininho, Luiz Henrique, Nelson Russi Wagner, Mirandinha, Aldo Bastos e Zuvaldo Ribeiro, como um dos mais marcantes compositores populares entre as décadas de 1950 a 1980.

Nos arranjos, do mesmo Expresso, não se deve esquecer Marcio Correia, de saudosa memória, que deu uma característica especial ao som do grupo. Além de grande músico e arranjador, era uma pessoa maravilhosa, que só vim a conhecer melhor muitos anos depois.

Antes dele participar do “Expresso”, ainda na Banda de Neutros, nos conhecemos quando, Clarice e eu, patrocinados no combustível por uma namorada sua na época, viajamos para o interior do Paraná para vê-los atuar no Festival do Castelo Eldorado.

Na volta, meu fusquinha foi um dos poucos veículos que conseguiu subir a ladeira enlameada do local e retornar antes dos demais à Floripa, trazendo conosco Márcio, que estava adoentado, para sua casa, em Blumenau.

Foi uma viagem infernal, à noite, com chuva e muita neblina, cujos limpadores de para-brisas e faróis não venciam (era um 62, com 6 volts e 1.200 cilindradas), forçando-nos a seguir as lanternas de caminhões e sair várias vezes da pista.

Apesar dos perigos enfrentados, chegamos em casa sãos e salvos.

Só fui conhecer melhor Márcio Correia alguns anos depois, já no Expresso Rural, onde exibia seu talento de arranjador e sua índole perfeita como pessoa, tendo nos deixado mais cedo do que merecia, atacado por uma doença fatal.

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