O Repórter Esso acaba de noticiar que o Getúlio Vargas morreu

Na Casa Santo Antônio falar bem do presidente da República era motivo para acaloradas discussões. No lado de dentro do balcão, estava Antônio Ferreira Nascimento, comerciante próspero de Santo Antônio da Platina, um antigetulista ferrenho que tinha motivos muito particulares para criticar o chefe do governo brasileiro. Na revolução de 30 as tropas gaúchas que apoiavam Getulio Vargas ficaram acantonadas em Siqueira Campos onde Antônio Ferreira do Nascimento tinha um bem sortido armazém.

Para alimentar os soldados o comandante mandava confiscar o estoque de viveres do armazém e dava ordens para que o comerciante providenciasse a compra de pão em quantidade suficiente. Na década de 1950 a cidade de Santo Antônio da Platina fervilhava de gente nas ruas e nas casas de comércio que faturavam alto graças as boas safras de café. Celso Nascimento, filho de seu Antônio, nos seus 8 anos de idade cumpria sua rotina diária de descer a Avenida Ruy Barbosa  até a Praça da Matriz onde ficava o Colégio Santa Terezinha.

No dia 24 de agosto de 1954, ao voltar para casa observou que o clima na cidade estava diferente. Lojas fechadas, pouca gente nas ruas e nos bares os homens conversavam em tom de lamentação. Ao chegar em casa encontrou a loja do pai com as portas abertas.

Na sala da residência quase toda a família estava agrupada em torno de um rádio RCA Victor que ocupava lugar de destaque no ambiente. Seu Antônio falou  num tom de vitória.

– O Repórter Esso acaba de noticiar que o Getúlio Vargas morreu. O programa jornalístico da Rádio Nacional do Rio de Janeiro era a principal e em muitos casos a única fonte de informação para milhares de brasileiros.

O país inteiro ficava atento quando o locutor anunciava; “Alô, alô, Repórter Esso, alô”. A voz marcante do locutor Heron Domingues soava forte na maioria dos lares brasileiros: “Aqui fala o repórter Esso, porta-voz radiofônico dos revendedores Esso, com as últimas notícias da United Press International”.

O mais famoso noticiário do rádio brasileiros foi a marca mais forte da poderosa Rádio Nacional líder de audiência e cujo padrão foi imitado pela maioria das grandes emissoras do país.

Do Livro Sintonia Fina – Histórias do Rádio. Curitiba, 2004.

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