Os filhos que nós queríamos ter

Já durante a madrugada fico tentando entender essa aparente passagem rápida do tempo. Nada mais é do que nossa vida corrida e agitada e somado a isso um saudosismo quase insuportável e ao mesmo tempo emocionante. Veio rápido a mente a poesia em forma de música de Vinícius de Moraes e Toquinho: O filho que eu quero ter. Se por acaso o leitor (a) ainda não a ouviu o convido a fazer isso ainda hoje, seja aí no trabalho ou em casa. Músicas como essas são pouco tocadas nas rádios. Não deixo passar muito sem rodar em meu programa. Uma vida, um sentimento de pai para filho, toda uma história do começo ao fim numa linda canção interpretada por Toquinho em três minutos e meio.

Ainda há quem diga que só as mães são super ligadas aos filhos, que os pais são mais distantes; discordo, pelo menos em parte. Hoje, para muitos pais a coisa mudou. Aquilo que nossos pais não receberam e não nos repassaram passamos hoje aos nossos filhos. Não podemos culpar nossos pais; a maioria fez o seu melhor e o resultado está aqui, em muitos de nós. Atualmente é bem mais comum vermos pais beijando, abraçando, acariciando e dizendo aos filhos o quanto os amam. Mas como passa rápido.

Num momento temos a notícia da gravidez. Noutro momento o esperado ultrassom, muitas vezes acompanhado da notícia, menino ou menina. “Tanto faz”, dizemos, queremos é que venha com saúde. Logo a esposa nos convida a senti-los em sua barriga. Conversamos muito com eles. Fazemos planos, contamos histórias, eu até dizia que ia ensiná-lo a jogar bola, pretendia, só não sabia jogar. Chega o dia do nascimento. Tive o privilégio de acompanhar o parto. O primeiro banho. As cólicas, as idas e vindas ao hospital a menor suspeita de algo sério. Os primeiros passos, as primeiras palavras, as primeiras conversas fora da barriga.

Suas intermináveis perguntas. Seu primeiro dia na escola. E de repente, tão de repente, eles não são mais crianças. Hoje com uma jovem adulta e um adolescente fecho os olhos e viajo alguns anos atrás. Aqueles balanços de praça, as corridas em volta a casa. Meu Deus que saudades. Levanto de madrugada e ouço o Toquinho. Choro. Quem tem filhos pequenos aproveite, passa tão rápido quanto um piscar de olhos. Mas hoje percebo que desse presente também terei saudades. Então vou aproveitar o agora.

A saudade fica. As boas lembranças calam fundo. E nós pais seguimos aproveitando os filhos que queríamos ter. Como disse o grande Vinícius, mesmo em outro contexto, “que seja eterno enquanto dure”, e que dure muito tempo essa sem igual emoção de ouvir alguém te chamar, pai ou mãe dos filhos que queríamos ter. E que cada dia seja eterno.

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