Os fiscais, os candidatos a vereador & o mensalão

selo-apontamentosUM – O bordão da moda é fiscalização. Falta fiscalização em tudo, alegamos a todo instante diante de crimes que se repetem. No meio ambiente, na saúde, no transito, nas ações de governo, no exercício profissional, na ação de menores, nas escolas, não importa a área, a queixa é a mesma: inexistência de fiscalização. Talvez nesse ponto exista uma rara unanimidade nacional, ou seja, nossa carência de fiscais é mastodôntica. Indago: é por falta de um ente tão requisitado que acabamos não respeitando as leis? Diante do clamor por mais fiscais e fiscalização fui ao amansa burro. Nada de especial, mas a ilação que brota intriga: somos imaturos? Explica o dicionário: fiscal é a pessoa encarregada da fiscalização de certos atos ou de execução de certas disposições. Fiscalizar é submeter algo ou alguém a atenta vigilância. Atento é aquele que presta atenção, é cuidadoso. Vigilância é precaução, cuidado, prevenção.

Resumindo: estamos pedindo, exigindo (consciente ou inconscientemente?) que o governo bote um monte de gente a nos vigiar. É isso? Vigiar-nos como se fossemos crianças ou prisioneiros? Como se fossemos irresponsáveis, como se fossemos ineptos, como se fossemos idiotas? Ou será que é porque realmente nos conhecemos, sabemos do que somos capazes? Ou será porque temos boa noção sobre a natureza humana?

DOIS – Tenham paciência e analisem cuidadosamente a relação dos candidatos a vereador de sua cidade. Fiz isso em Passo Fundo. O exercício se revelará interessante. E oportuno. Andamos tão decepcionados com a política que é melhor prevenir (analisar em quem vamos votar agora) do que remediar (chorar após um energúmeno obter vaga no Legislativo). No município mais de duzentos estão atrás do nosso voto, fazendo o que há de mais sagrado na democracia: colocando seus nomes à nossa consideração.

O que constatei? Sem exceção, todos os partidos tem gente de primeira linha entre seus candidatos. Independente de sigla há pessoas credenciadas para cumprir um mandato em alto nível se forem eleitas. A maioria – independente de sigla, repito – tem qualificação suficiente para ser um bom vereador. E essa deve ser a regra no país, ninguém me tira isso da cabeça. A Câmara de Passo Fundo tem 21 vagas e, se formos às urnas com sabedoria, escolhendo os melhores conforme a nominata posta à nossa disposição, elegeremos um Legislativo ético e competente. Saberemos fazer isso? Nossa história recente tem dito que não…

TRÊS – A posição do STF (no processo do mensalão) condenando o deputado João Paulo Cunha, do PT, já produz efeitos que terão incontáveis desdobramentos. O resultado mais visível é que de hora em diante ficará muito difícil (ou impossível?) negar a existência do mensalão. E, no decorrer da vida nacional ensejará uma enxurrada de análises sobre a história recente do país (vai encerrar o ciclo democracia-ditadura-democracia?) e poderá se tornar o divisor de águas no contexto da exigência de posturas republicanas de quem faz politica. As análises são inevitáveis, até por que o número de descrentes diminuirá na exata confirmação de que a mais alta corte do país não é instituição que abriga compadres e porque a postura de estadista da presidente Dilma vai ficando mais clara.

Ivaldino Tasca, jornalista | [email protected]

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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