Os jornais, as primeiras redes e o lugar Florianópolis

O poder público teve papel fundamental na introdução de novos serviços e tecnologias em Florianópolis, geralmente na frente de outras cidades catarinenses. Foi assim com os jornais, criados por interesses políticos e com o telégrafo, implementado para comunicação do governo local.

O primeiro periódico a circular em Florianópolis surgiu em 28 de julho de 1831, 23 anos depois de a imprensa chegar ao Brasil junto com a família real portuguesa. “O Catharinense”, criado por Jerônimo Coelho, estava a serviço dos ideais políticos do seu fundador e aliados, assim como outros exemplos do jornalismo catarinense até os anos 80 do século XX do Sulcomo de “vinculação partidária ou indiretamente com o poder público; vida curta; instrumento de política partidária”.

O público dos primeiros jornais eram os funcionários civis e militares da administração, a elite local, que além de fazer parte dos poucos alfabetizados tinha interesse nos assuntos relacionados ao poder público. Este perfil mudaria a partir de 1850, com a ascensão dos comerciantes em Florianópolis.

Enquanto a imprensa catarinense e brasileira iniciava sua trajetória, nos anos 30 do século XIX, Estados Unidos, França e Inglaterra entravam na era do jornalismo industrial . Formaram-se “conglomerados de comunicação estruturados na vertente capitalista”, conforme Fernandes (2000, p. 25). A formação de grandes aglomerações urbanas, o crescimento econômico e os avanços tecnológicos na impressão gráfica deflagraram esta nova fase da imprensa.

Embora tenha se expandido a partir da década de 1960 — na esteira do desenvolvimento econômico iniciado com JK (1955-1960) —, se modernizado tecnicamente nos anos 70, a imprensa catarinense só se profissionalizaria nos anos 80, (PEREIRA, 1992 apud FERNANDES, 2000), com grande influência da entrada do grupo gaúcho RBS – Rede Brasil Sul, com o lançamento da TV Catarinense, em 1979, e com destaque para a publicação do Diário Catarinense, em 1986.

Pouco mais de um século antes, quando os jornais ainda eram ligados direta ou indiretamente ao poder público, operando com finalidades políticas e tendo como público os funcionários do governo e militares — a elite local —, o mesmo poder público motivava a conexão da província e depois do estado de Santa Catarina às primeiras redes de comunicação. A cidade foi a primeira em Santa Catarina na adoção de novas tecnologias da comunicação que influenciaram significativamente a indústria de mídia — como o telégrafo e a internet — e em tempo próximo às principais cidades do país.


Este texto faz parte da dissertação de mestrado Implicações da internet nos jornais e a presença da RBS na web. Veja neste link outros trechos publicados no Caros Ouvintes e aqui a íntegra deste trabalho, que busca analisar as implicações do desenvolvimento da internet na mídia, com ênfase nos jornais, partindo de Florianópolis para a abordagem do tema, buscando a manifestação local deste processo mundial. O autor optou pelo estudo de caso da RBS devido à atuação em jornais e internet, além de outras mídias, à posição de referência e líder de mercado na região Sul e ao papel pioneiro da empresa na convergência entre mídia e telecomunicações no Brasil.

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Por Rogério Mosimann

Jornalista graduado pela Universidade Federal de Santa Catarina em 1995, ano em que lançou seu primeiro site e abriu sua segunda empresa: Infomídia Comunicação e Marketing, onde atua até hoje com desenvolvimento de sites, marketing digital, assessoria de imprensa e soluções integradas para comunicação de empresas e organizações não-governamentais. Pioneiro da internet brasileira, possui cinco anos de experiência como professor de mídia digital em cursos de jornalismo e publicidade. É mestre pelo departamento de Geociências da UFSC.
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