Os milagres do rádio

Famosa cantora lírica (contralto) norte-americana conta, em suas memórias, dois recortes da sua vida que se devem ao rádio.

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Nasceu e cresceu numa fazenda no interiorzão do Texas, onde não havia nada. Nem luz elétrica. Mas a família possuía um daqueles receptores antigos e pesados, alimentado por bateria, carregada por um cata-vento. A noite, após o jantar, era hábito a família reunir-se, no varandão, em volta do rádio, para ouvir notícias da guerra na Europa e para ouvir música. Certa noite, quando ela tinha apenas oito anos, o programa era ópera, que todos ouviam com muita atenção.

Ao final, ela perguntou: – Papai, o que é isso?

– É ópera, respondeu ele.

–  Papai, eu um dia posso cantar ópera?

– Se você realmente quiser, de verdade…

Ela relembra isso, no camarim, minutos antes de entrar no palco imenso do Metropolitan Opera House de Nova York, para viver o dificílimo papel da princesa Amneris, a filha do Faraó, na ópera “Aida”, de Giuseppe Verdi, que lhe valeu consagração total.

Outra lembrança é a de que certa noite, quando o programa musical era formidável, seu pai escreveu uma carta para a emissora, do outro lado do mundo, elogiando a programação e dizendo-se fiel ouvinte, todas as noites. Quase um mês depois, recebeu uma carta da Europa, agradecendo a sua atenção, mas informando que – lamentavelmente – a emissora não mais existia. Já estava fora dor ar a cerca de dois anos.

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Por Mauro Júlio Amorim

Nascido em 14 de abril de 1939 e residente de Florianópolis, Mauro Júlio Amorim é jornalista e escritor. Foi publicitário, radialista, locutor, teatrólogo e apresentador de TV. Cronista emérito, começou aos 18 anos e continua escrevendo e promete não parar enquanto a saúde permitir. Adora contar histórias saborosas dos amigos e de gente famosa. Atualmente trabalha na conclusão do terceiro livro e acaba de se integrar à equipe de cronistas voluntários do Instituto Caros Ouvintes.
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