Os políticos sabem o que é ser Catarina?

Certa vez ouvi um empresário questionar por que a nossa bela e Santa Catarina precisa valorizar e bajular tanto os quem vêm de fora, principalmente gestores de mídia? E um escritor, na roda, antecipou-se: “os políticos não sabem o que é ser Catarina”.

Basta uma ave de arribação fazer brilharem os olhos de um deputado para este rapidamente lhe conceder o título de cidadão catarinense, com o aval dos demais parlamentares aduladores. Com a mesma precipitação os nossos gestores públicos também se encantam com propostas milagrosas, como a da Espanha para salvar nossos hospitais, além dos miraculosos estudos para reduzir a imobilidade urbana. Por que nos apequenamos assim? Quem sabe pela pobreza política e miséria de espírito público.

O legado dos imigrantes empreendedores semeou a grandeza e a qualidade de vida, mas nossos políticos preferem o atropelo e espetáculo dos holofotes. Por isso, somos hoje um estado de autoestima arriada, espiando as bombachas cintilarem. Afinal, o que é ser Catarina?

Os gaúchos e paulistas e a maioria dos nordestinos vibram com suas tradições e festejam suas datas com paixão. Será que os nossos parlamentares saberiam dizer qual a data comemorativa de fundação de Santa Catarina? Com toda a certeza não. Nem eu! O ex-governador Luiz Henrique da Silveira, com os votos dos deputados, mudou a data, nulificando 500 anos de história. Viva o rei e seus súditos parlamentares. Viva a capitania hereditária!

Precisamos esbravejar e bater no peito que ser Catarina é sentir orgulho da sua história, de seus valores, do seu hino, é proteger cada grão do patrimônio histórico, é ver cada cidadão abraçar causas coletivas. Somos o único estado a possuir uma universidade em cada microrregião; temos o artista que pintou a primeira missa; o maior poeta simbolista do país; a primeira guerra a usar aviões a do Contestado, cujo centenário passou em branco; o primeiro núcleo de anarquistas brasileiros em S. Francisco do Sul; Darwin se comunicava com Fritz Müller, de Blumenau; o maior museu de insetos está em Seara; Querem mais, senhores políticos? Não precisamos usar superlativos para nos engrandecer. Não. Nossas raízes nos dignificam; nossas histórias nos engrandecem e nossa gente alegre e ativa é a nossa referência. Nossa cultura virou produto de acordo eleitoral, assim como o turismo e esporte. Um médico, que passou a viver na Ilha desde 2002, confessa: “Se pelo menos eu pudesse sentir Santa Catarina e não apenas ver…”. É que vivemos uma cultura cool, cômica, espetacular e descartável, que impede que retomemos a nossa autoestima. Mas, apesar de disso, somos Catarina sim, com paixão!

[ Publicado em Notícias do Dia, 18/3/15 ]

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