Os primeiros a chegar ao Palhostock

A polícia estava infiltrada na plateia. Foi o suficiente para os policiais dirigirem-se ao palco para prendê-lo, mas o avisamos a tempo e ele rapidamente desceu e se escondeu. A polícia estava infiltrada na plateia.

[ Por Márcio Santos ]

PalhostockAliás, nossos amigos Luiz Henrique, Deto e Tuca também não saíram de sua barraca até o final da primeira noite de shows, inclusive nem tiveram condições de se apresentar. Quando terminamos e saiamos do palco, dois homens de terno e com valise executiva nos aguardavam.

Ora! Sob regime militar, nossas letras soando nas entrelinhas contra o sistema, pensamos que eram da polícia federal e, prometendo voltar logo para os atendermos (iríamos apenas guardar os instrumentos), nos refugiamos em nossa barraca próxima ao palco, de onde não saímos até altas madrugadas.

Depois do Capuchon, entraram os Almôndegas, com Kleiton e Kledir, fazendo um belo show (nós só os ouvimos).

No dia seguinte, conversando com um dos integrantes da banda gaúcha, este nos informou que tinham um belo contrato na Continental Discos e que, após o festival, iriam a São Paulo para gravar seu primeiro LP. E o pior: aqueles senhores de terno eram produtores da gravadora e que gostaram do Capuchon, só que estes não os procuraram, conforme haviam pedido, para assinar um contrato com eles nos mesmos moldes.

Após procurar os produtores para corrigir nosso erro, soubemos que já tinham ido embora e que só assistiram aos shows da primeira noite.

Bem! Só nos restava atender o convite dos coordenadores para abrir a sequência de shows do domingo a tarde, voltando ao palco e cumprindo quase duas horas de música.

Só viemos saber da importância do Capuchon neste festival quando, meses depois, Nilo e eu acompanhamos a banda Siddartha no Festival de Praia do Leste (Paraná) e muitos “magrinhos” passavam por nós cantando “Voa Urubu”, “Pirâmides de Quéops”, “O Manga” e “Auxílio” e nos cumprimentando pelo desempenho no Palhostock.

Nesse festival do Paraná, tivemos nossos momentos de estrelas, ficando hospedados em quartos contíguos a Rita Lee (Tutti Frutti), O Terço e O Som Nosso de Cada Dia (de SP). Rita estava em sua fase mais louca, precisando ser arrastada ao palco pelo pessoal de sua banda; além disso, era sempre acompanhada por uma jaguatirica, que intimidava a todos nós que estávamos no mesmo corredor.

Nilo fez percussão e eu, viola de 12 cordas para a banda Siddartha, com Neno, Edinho e Neguinho e da galinha Fomizelda, que fez grande sucesso.

O ponto negativo foi no domingo (terceiro dia) quando, após um temporal de verão, o palco ficou inundado e o técnico de som do Terço, ao testar o microfone, morreu eletrocutado enquanto todos tentavam salvá-lo. Foi o pior baixo astral. O festival encerrou ali mesmo, com um retorno a Floripa triste e sem graça.

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