Os quatro rapazes de Liverpool

Sempre fui fã dos Beatles! Meu pai, apesar de não compartilhar desse gosto, teve boa parte da “culpa” por isso, pois, projecionista de cinema, levou-me para assistir três filmes deles, nos anos de 1960. Acostumado a ouvir: “E agora, de Lennon e McCartney…”, demorei a “descobrir” George Harrison, sem esforço, o único “beatle” gravado por Frank Sinatra, apesar do empenho de Paul. Mas Ringo Starr era meu favorito. Ele não era o melhor músico do grupo, nem um baterista ou vocalista memorável. Até dizem que ele foi um dos caras mais sortudos do mundo, pois chegou depois (não era o baterista original da banda) e logo em seguida ela “estourou”.
Se não fosse ele, poderia ter sido outro, como outra atriz poderia ter feito “A Escrava Isaura”, ou outro menino poderia ter feito “Esqueceram de mim”… Entretanto, se o “sol” brilhou para Ringo, ele também trouxe certa luz para os Beatles, dando-lhes uma veia cômica.

Lennon era o mais polêmico, visceral, chegando a colocar o grupo em “saias justas”, como na vez que afirmou que os Beatles eram mais conhecidos que Jesus Cristo. Era assim até quando, usando da fama, deitou na cama. Mas, foi George quem buscou na Índia inspiração para novos sons. Eram tempos de movimento hippie e alguns deles pegaram pesado em outro tipo de “viagem”: Paul quase foi ao encontro de Lucy! Lembro de fotos de revistas da época, que o mostravam envolto em espuma, e dos boatos de que ele havia morrido. Só que John foi primeiro, por obra de um “fã”. Virou mártir!

Tempos depois, outro “miolo mole” quase nos tirou George, até que ele se foi mesmo, cedo ainda, por doença. Ringo sumiu, voltou, gravou sazonalmente, fez algumas participações em shows beneficentes e de tributos. Mas, quando alguém fazia uma comemoração sobre os Beatles quase sempre só Paul comparecia. A separação da banda teve sequelas profundas, mesmo: parecia que só Ringo conseguia lidar com os demais. Vaidades, gurus, Yoko…

A gente alimentou o sonho de vê-los juntos, mas ficou por isso mesmo, cada um com sua carreira solo, exceto por alguns duetos e em “Free as a bird”, homenagem póstuma a Lennon.

A sorte é que existem os CDs, os vinis, os filmes e as bandas “cover”, como a “Beatles Forever”, que fui assistir recentemente, junto com uma platéia lotada de jovens de todas as idades, que cantava em coro músicas que já ultrapassaram o limite do tempo e do espaço, pelo simples motivo de que são boas pra caramba!

Bem vindo consolo, pois, dos “Quatro rapazes de Liverpool”, apenas Ringo e Paul restaram: curiosamente o último a entrar e o primeiro a quase “ir”.
“Beatles, never more”?

Ringo nunca esteve “muito aí”, mas Paul parece ter sido meio que esquecido, por continuar vivo. Linda já se foi… O “Wings” também… Ele ainda grava e faz shows, mas é difícil ouvir suas músicas mais recentes.

De certa forma, eu também o havia olvidado, até que a morte de Michael Jackson fez “ressuscitarem” seus clipes conjuntos.

Assim inspirado, resolvi embarcar no “Yellow Submarine” e navegar pelo YouTube. Encontrei “Uncle Albert” e voltei no tempo, sem pressa nenhuma, para curtir esta obra-prima solo, de Paul. Depois, inspirado em “Imagine”, de Lennon, fui clicar “Photograph”, para celebrar a genialidade de George e fazer um “mea culpa” sobre a desempenho vocal de Ringo.
 
Quem disse que o sonho acabou? Os Beatles ainda estão aí, em vida ou além dela, para serem lembrados e curtidos “forever”!

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Por Adilson Luiz

Palestrante, compositor e escritor, autor de Sobre Almas e Pilhas (2005) e Dest’Arte (2009). Articulista e cronista, escreve em vários meios de comunicação no país. É Mestre em Educação, Engenheiro Civil, Professor Universitário e Conferente de Carga e Descarga no Porto de Santos/SP. Mantém o site algbr.hpg.com.br
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