Os que trocam o amargo pelo doce

Uma das máximas no jornalismo seria considerar como notícia de destaque não o fato de um cachorro morder um homem, mas sim um homem morder um cachorro.

microphone-516043_1280Lógico que essa ilustração serve para demonstrar que notícia é o incomum.

De certa maneira as coisas que se tornaram comuns são justamente, atitudes, gestos, comportamentos, inclinações, expressões de mau gosto, má educação, agressividade e violência.

Atitudes negativas se tornaram a ordem do dia; o que parecia incomum há anos ou décadas hoje não espanta mais.

Hoje quando alguém é honesto ou educado é notícia certa. Se for as duas coisas é chocante.

O que há de surpreendente em uma pessoa ajudar um deficiente físico?

Como podemos nos impressionar ao ver alguém educado?

Como pode ser notícia o fato de alguém devolver uma carteira com dinheiro dentro?

O que leva um juiz ser considerado louco e inadequado?

Por que uma pessoa que diz que vai se casar virgem causa espanto? Ela é normal?

Alguém que é casado e leal ao marido ou esposa passa uma impressão estranha?

Como é encarado alguém em cargo de autoridade que faz o que tem de fazer?

Por que um jornalista imparcial é admirado?

Uma sociedade que diz: “Ele rouba, mas faz. Todos roubam, mas esse pelo menos faz alguma coisa”. “Achado não é roubado”. “A ocasião faz o ladrão”.

Se partirmos do princípio que desde que faça algo de bom não importa ser ladrão; logo diremos a uma mulher que apanha do marido: “Mas ele é bom pai, trabalhador, tua mãe adora ele, não deixa faltar nada em casa; só te dá uns tapas quando bebe”.

A ocasião não faz o ladrão, antes revela o ladrão, senão todos nós seríamos ladrões em potencial, apenas aguardando uma oportunidade.

Quando quem merece um troféu é apontado como louco, bandido ou indesejável é porque a coisa já está feia demais.

A mesma polícia tão criticada é a primeira a ser chamada na hora do apuro. Não são chamados para um café, só para resolver problemas. Claro que é sua função. Mas e o reconhecimento a atos de bravura que não são raros?

As palavras: “Os que trocam o amargo pelo doce e o doce pelo amargo, os que inocentam o culpado em troca de suborno e negam justiça ao justo; os que dizem que o bom é mau e o mau é bom”, estão escritas há uns 3 mil anos.

Bíblia. Isaias 5: 20-23. Essas atitudes são vistas hoje por nós em quase todas as esferas da vida. Escola, trabalho, órgãos públicos, privados, religião, mídia, e nas próprias casas, no seio da família.

Só falta mesmo uma pessoa, louca ou não, morder um cachorro e trazer um tema incomum.

Num momento de troca e inversão de valores quem será mais ingênuo, quem crê em lobisomem e no super homem, ou quem vê melhoras a curto e médio prazo?

Será que há coisas boas acontecendo e são pouco divulgadas?

Talvez dependa também do interesse de quem consome as notícias. Se é verdade que somos o que consumimos podemos treinar nosso “paladar intelectual”. Que o doce seja doce e o amargo o que realmente é.

Um importante detalhe é que nós como seres humanos somos a principal matéria prima que leva a produção de ações e que viram notícia, sejam elas doces ou amargas!

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