Os Sonhadores – Aldo Silva

Aldo Silva inicia a vida de radialista na Difusora de Tijucas em 1948 onde forma a primeira equipe de radioteatro de sua carreira. Nas rádios Guarujá e Diário da Manhã de Florianópolis, projeta o seu elenco de radioteatro como um dos cinco principais do Brasil.


A foto é do início da década de 1950 quando Aldo Silva já estava na Rádio Guarujá de Florianópolis.

A história profissional de Aldo Silva começa com a instalação da Rádio Difusora de Tijucas, como relata o jornalista e escritor tijucano Leopoldo Barentin. Segundo Barentin, a primeira rádio da cidade foi inaugurada em 22 de outubro de 1948 sob o comando do jovem Aldo Silva.

A programação da emissora era bastante variada destacando-se a Crônica da Cidade escrita pelo poeta Guilherme Varella e lida por Aldo Silva. Alias, Aldo como ressalta Barenti, também apresentava programas “sentimentais, trazendo pensamentos e quadrinhas que a juventude enviava para a emissora, ou os de caráter religioso, como a Oração da Ave Maria apresentada pelas internas do Colégio Espírito Santo”. Agora, “a sensação eram os calouros que faziam a grande alegria dos ouvintes, em virtude do entusiasmo do apresentador Aldo Silva”.

As radionovelas também faziam sucesso com o elenco formado “por muitos tijuquenses, entre os quais o casal Mariquinha e Hercílio Rosa, sempre acompanhado pela filha Leda Regina de Souza”, como assinala Barentin no artigo O Rádio em Tijucas.

Aldo Silva permaneceu por pouco tempo na emissora de sua terra natal. Logo é seduzido pelo crescente sucesso e popularidade da programação da Rádio Guarujá de Florianópolis e transfere-se para a Capital. Integra-se ao cast de radioteatro da emissora, faz locução comercial, produz e apresenta programas de auditório.

Com o surgimento da Rádio Diário da Manhã, em janeiro de 1955, Aldo Silva enfrenta novo desafio e parte para uma jornada ainda mais ambiciosa: fazer do seu elenco um dos mais importantes da radiodramaturgia no cenário nacional. Com isso, firma-se no posto e chega a Diretor de Programação da emissora.


Aldo Silva e elenco de radioteatro. A partir da esquerda, em pé, Felix Kleis, José Nazareno Coelho, Edgard Bonassis da Silva, Hamilton Alves e Manoel Passos; sentados, Janine Lúcia, Lygia Santos, Aldo Silva, Cacilda Nocetti e Alda Jacintho.

A pesar da notoriedade como diretor de radioteatro, Aldo Silva destaca-se escrevendo, produzindo, dirigindo e interpretando personagens do programa Alma Sertaneja. Aliás, este programa foi a grande paixão dos seus mais de 30 anos de atividades no rádio. Alma Sertaneja nasceu na Rádio Difusora de Tijucas com o nome de Casa de Caboclo, entremeando músicas e poesias sertanejas de autoria do próprio Aldo. Quando se transferiu para Florianópolis o programa ganhou horário de destaque com apresentações diárias às sete horas da manhã pelas sondas da Guarujá.

Mas é na Rádio Diário da Manhã que a produção ganha nova roupagem e status de programa noturno numa série radioteatral com elenco contratado, com direito a música ao vivo, contra-regra e sonoplastia sofisticada. Nas noites de segunda feira, a partir das 21 horas brilhavam nos céus do Brasil, pelas ondas médias e curtas da Diário da Manhã, nomes de radioatrizes e radiadores como Felix Kleis, Cacilda Nocetti, Alda Jacinto, Edgard Bonassis da Silva, Tereza Rosa, José Valério Medeiros e Neide Maria Rosa e Zininho que também cantavam acompanhados do acordeon de Aldo Gonzaga, a contra-regra de Manoel Bruno Filho e a sonoplastia de Augusto Mello.


Esta é uma dupla que se repetiu por muitas vezes: Aldo interpretando personagens de homens maduros e Cacilda vivendo personagens malvadas

Aldo Silva encerra sua carreira de radialista com o sucateamento da Rádio Diário da Manhã no final da década de 1970. Retira-se para Porto Belo para se dedicar a outras duas grandes paixões: uma oficina mecânica para pequenas embarcações náuticas e o mar. Lá, entre esses amores e o carinho da mulher Lêta, uma vez mais é tentado a voltar ao rádio e a começar uma carreira pela TV. Munido da companhia da Preta, do Zininho, de dona Ivette e do Vininho, lá aporto eu no dia 17 de abril de 1983 como Gerente Executivo do Sistema de Rádios da RBS/SC e uma missão: convidar o Aldo a fazer parte da nova equipe da Rádio Diário da Manhã recém adquirida pela Rede Brasil Sul de Comunicação.

O projeto não chegou a ser implantado. A RBS mudou os planos e eu saí da organização. Mas, esta é a história de outro sonhador que um dia será contada.

Da visita restam uma grande saudade e três horas de gravação. Das gravações aqui estão alguns trechos de áudio na voz de Aldo Silva. Os registros foram feitos na sala de estar da casa do Aldo e da Lêta, em Porto Belo, com uma mini-gravadora do Zininho, na tarde de 17/4/1983. Não há nenhum tratamento acústico. Tudo é de autoria do próprio Aldo Silva.

 La pras banda que eu nasci, trecho de poema romântico.
 Pra riba de mim, poesia de louvor à mulher.
 Masca fumo, sátira em prosa.
 Vergonha, poema crítico.
 Jogo de baralho, piada caipira.
 Doutor, trecho de poema sócio-crítico.
 Visita a Aldo Silva, trechos de conversa onde aparecem as vozes de todos os presentes.
 Alma Sertaneja, abertura do programa reproduzida em fita magnética de gravadora de rolo e regravada juntamente com os ruído ambiente em mini-gravadora cassete.
Notas do Autor:
– Preta é Nivalda Jacques Severo
– Zininho é o poeta e compositor Cláudio Alvim Barbosa
– Dona Ivette é a mulher de Zininho
– Vininho é o maestro Jairo Alvin Barbosa, filho de Zininho e Ivette

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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