Os Sonhadores – Donato Ramos

Nascido em Echaporã, SP, em 25 de abril de 1936, Donato Ramos é o típico profissional de rádio: nômade, alegre, criativo, tocador de gaita-de-boca, comunicativo por natureza, aventureiro e dono de um enorme coração.
Por Antunes Severo

A entrevista que se segue também foi feita num bar, desta vez em Florianópolis no Beira Mar Shopping, há duas semanas atrás. Desta vez, à base de cafezinho porque o Donato abandonou “as louras transpirantes”, como costuma dizer.


Na foto de 1960 em Itajaí, Donato e Antunes tramam algumas das “loucuras” que depois iam para o ar pelos microfones da Rádio Difusora.

“Olha: pra te falar a verdade eu nem sei se Echaporã ainda existe. Dia destes procurei no mapa e não encontrei, mas ta no documento”.
Gozador contumaz, Donato não consegue levar a sério qualquer dificuldade. Lá no fundo a gente sabe que ele ama a sua terra e só foi correr mundo porque Echaporã insistia em não crescer.
Para onde foi o seu primeiro vôo?
Paraguaçu Paulista. Ali eu passei toda a minha infância e parte da juventude, onde fui engraxate, vendedor de doce e sanduíche na estação ferroviária com tabuleiro pendurado no pescoço…
Que versatilidade, sô.
Também fui garçom de manhã e no mesmo local eu era professor de datilografia. Fui o melhor engraxate da minha rua!
 
Com todo esse know-how você já estava pronto para começar no rádio. Foi em Paraguaçu?
Ah, lá eu comecei em rádio.

Que idade tu tinhas nessa época?
Devia ter uns 16, 17 anos.
Aí você resolveu brincar de rádio.
Não. Não, eu não brincava não. Eu comecei no sério. Cheguei e disse pro homem eu não quero ser mais engraxate, eu quero ser locutor.
Então a carreira deslanchou.
Não, nada. Pra ganhar a vida eu fui ser vendedor de pano nas Lojas Riachuelo.
Só que nas Lojas Riachuelo eu não tinha jeito de vender. Eles tinham um serviço de alto-falantes volante e ta na cara que eu engatei o carro ali.

Continuava também fazendo a Ave Maria às seis da tarde na Rádio, mas estava com a cabeça la na frente.
Uma nova aventura

Você chegou a Curitiba sempre motivado pelo trabalho no rádio?
Eu não sabia fazer mais não a não ser rádio.
Você estudou?
Não. Não até lá não. Mas, o rádio exige muita coisa. Tinha que conhecer o básico de português, inglês, espanhol, francês, alemão…
E em Curitiba você chegou por cima, trabalhando na Rádio Colombo que era a emissora da moda.
 Donato, você é um cara que além de trabalhar em rádio escreveu e continua escrevendo sobre essa atividade. Qual é a sua avaliação desse meio de comunicação hoje?
 
Nesta entrevista nos limitamos ao tema rádio e por isso, deixamos de lado as suas atividades na televisão, os seus livros, os tempos de professor do Senac e a sua atuação como líder sindical até hoje. Então vamos falar da vinda para Santa Catarina. Como é que foi?
 Daqui pra frente, o bom mesmo é você acompanhar o andamento da conversa que continuou por mais exatos 20 minutos e seis segundos. Aí o Donato fala de coisas assim:
– Como ele veio parar em Florianópolis
– Como ele acabou coordenando a realização do concurso que elegeu o Rancho do Amor à Ilha como Hino de Florianópolis
– Como evoluímos do gravador em fio para a fita magnética
– Como eu migrei do rádio para a propaganda
– Como ele saiu de Florianópolis para ir para Blumenau para enfrentar um novo desafio
– Como foi o retorno para Curitiba
– Como foi a volta para Rio do Sul
– Como foi o re-retorno para Curitiba
– Como virou professor do Senac e abandonou o rádio
– Como falir vendendo demais
– Como se tornou um “fundador” de instituições, inclusive uma Academia de Letras
– Como é ser pai de esqueitistas campeões mundiais
– Como o rádio serve para alimentar a produção da série de livros Antes que me esqueça
– Como se tornar uma personalidade mundial a partir da Câmara Junior
– Como agradar os amigos com mentiras carinhosas


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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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