Os Sonhadores – Iran Manfredo Nunes – 2

Ecos do tempo – Capítulo inédito com imagens de Dílson Ribeiro, fotos e áudios do acervo de Iran Manfredo Nunes. Veja, leia e ouça. Divirta-se e relembre, imperdível.
Por Antunes Severo

 

O desenhista Dílson Ribeiro, nas horas vagas – “que não eram muitas, mas muito bem aproveitadas” – se divertia fazendo caricaturas dos colegas. Em setembro de 1992, consegue publicar os seus trabalhos num livro que hoje é uma verdadeira relíquia, como esta do Iran, agora ampliadinha abaixo.


Iran nos estúdios do serviço de rádio da Epagri.

Do material selecionado retiramos uma poesia muito em voga entre o pessoal de rádio década de 1950: Duas almas, de Alceu Vamosi, era garantia de audiência dos programas românticos da época. Além da beleza trágica da poesia, aqui nós podemos apreciá-la na voz de Ciro Marques Nunes, irmão mais velho de Iran que fez parte das primeiras equipes de locutores que começaram ainda na década de 1950 na Rádio Guarujá.
:: Duas almas (áudio)
Como diz a sabedoria popular, “ninguém é perfeito”. O Iran, por exemplo é torcedor ferrenho do Botafogo do Rio de Janeiro. Torcedor, nada: ele é tarado pelo Botafogo. O deslumbramento do Iran era tanto que quando o Botafogo veio jogar em Florianópolis ele conseguiu ser escalado como repórter de campo da equipe de Esportes da Rádio Diário da Manhã só para ficar mais perto dos seus ídolos. E teve tanto sucesso que até foto conseguiu tirar.


A consagração: Iran de gravata com os seus ídolos maiores, Garrincha e Didi em pleno Pasto do Bode. Ou melhor, o Estádio da Rua Bocaiúva. Quer dizer, o Estádio da FCF, ou seria melhor dizer Estádio Adolfo Konder, que virou propriedade do Avai e se transformou no Estádio Aderbal Ramos da Silva, lá na Ressacada. É, é verdade. “Esse Avai faz coisas”!

A bem da verdade, é preciso dizer que havia mais torcedores botafoguenses em Florianópolis, pois até música de carnaval o time da estrela solitária inspirava. No final da década de 1950 a disputa de audiência entre as rádios Guarujá e Diário da Manhã acaba fomentando uma novidade: concursos de músicas carnavalescas de autores locais. A “Mais Popular” faz um concurso e a RDM faz outro. Quase vira guerra. A guerra PSD x UDN. Percebendo o lance, a Prefeitura chama para a si a responsabilidade de organizar a “festa momística”. Assim surge a marchinha que fez muito sucesso.
:: Ouça na voz de Dino Souza, Botafogo (áudio)
E agora um pouco de humor. O programa Sequências A Modelar transmitido pela Rádio Diário da Manhã, as terças, quintas e sábados, por quase uma década, lotava o auditório da emissora em todas as apresentações.
O detalhe é que o programa era transmitido ao vivo a partir das dez horas da manhã. Aqui estão três quadros apresentados por Alfredo Silva e interpretados por Salim Mansur Neto, Francisco Mascarenhas e Nívea Nunes.
:: Ouça Coitado do Abdala! (áudio)
Seqüências A Modelar era um programa com muitas atrações. Abria com a crônica Janelinha da Ilha e terminava com um capítulo de novela. No meio tinha muito humor e muita música. Tudo ao vivo. Até os comerciais eram ao vivo. Uma das atrações era o baterista e cantor Helinho que fazia um gênero consagrado nacionalmente por Miltinho. Com o Conjunto e Coral RDM, ouça:
:: Chorar por ti, nunca mais (áudio)
E porque falamos em Miltinho que foi crooner do Conjunto de Djalma Ferreira, cabe aqui mais um recorte desse passado que foi de muita alegria e que ainda nos faz muito felizes. Em 1957, a revista O Rádio Catarinense editada pelo violonista José Cardoso (Zequinha) e Nilson Mello realiza o concurso “Os Melhores do Rádio”. Para a festa de entrega da premiação foi contratado o cantor Miltinho que acaba saindo na foto em que aparecem também o Iran e vários outros ganhadores.


A partir da esquerda: Gustavo Neves Filho, Adolfo Zigelli, Claudino Silva, Lauro Soncini, Iran Manfredo Nunes, Miltinho, Antunes Severo, Rozendo Vasconcellos Lima, Cláudio Alvim Barbosa/Zininho e Waldir Brazil.

E agora, para encerrar, uma das criações de Zininho para Neide Maria cantar. Primeiro a música foi lançada no Bar da Noite – um programa transmitido pela rádio Diário da Manhã nas noites de sexta-feira a partir das 21h00. Depois foi gravada pela Neide num compacto da Odeon (vinil de sete polegadas, em 33 rotações, o chamado LP) e é essa versão que você vai ouvir agora.
:: Neide Maria canta de Cláudio Alvim Barbosa, o Zininho: Insônia.
*Dílson Ribeiro, desenhista de carreira (desde o Eta Projeto 17, depois Acaresc, até Epagri hoje).
Os áudios fazem parte do acervo de Cláudio Alvim Barbosa, o Zininho e se encontram na Casa da Memória da Fundação Franklin Cascaes, de Florianópolis.
 


{moscomment}

4 respostas
  1. Iran Junior says:

    Desculpem, cliquei em publicar antes da hora, e a mensagem anterior foi totalmente fora de contexto.
    Vamos tentar novamente. hehehe

    Não viaja, Antunes. A maior “glória” do pai foi quando eu nasci…hehehe
    E ele agora é torcedor fanático do Figueirense, quase enfartou naquela semi-final da Copa do Brasil. Foi contra o Botafogo, aquele jogo do episódio da bandeirinha, lembra?
    Eu estava cuidando dele na casa do Rio Vermelho, e o Velho dava pulos cada jogada de perigo…hehehe
    Ele tinha acabado de sair do hospital, quando teve aquele pequeno derrame, lembro até de ter te encontrado quando fostes visitá-lo no hospital.
    Gosto muito deste trabalho que estás fazendo pela memória do nosso glorioso Rádio. Eu me criei, literalmente, dentro da RDM. Também sei de muitos episódios interessantes.
    Como criança eu andava por tudo, mexia em tudo….Lembro que sempre alguém da Rádio ficava como “minha babá”, enquanto o pai fazia as locuções. Como o Fenelon Damiani, por exemplo, que eu chamave de FNM…hehehe
    Se quiser trocar umas idéias, entre em contato.

    Um grande abraço.

Deixe um comentário

Gostaria de deixar um comentário?
Contribua!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *