Os sonhadores – José Nazareno Coelho

Aos 18 anos Nazareno Coelho inicia a mais longa jornada de sua vida profissional ingressando como técnico de som (operador de áudio) na Sociedade Rádio Guarujá – a mais popular – como era conhecida a pioneira e então única emissora de rádio da Capital.
 Por Antunes Severo

José Nazareno Coelho, o Nasa como era tratado pelos colegas mais íntimos, teve, entretanto várias outras vidas: formou-se em Contabilidade, foi professor da rede estadual de ensino, mais tarde graduou-se em Direito, embora não tenha exercido a profissão, mas foi assessor especial da Secretaria de Segurança e procurador do Estado junto ao Tribunal de Contas. Durante o exercício dessas atividades Nazareno mantinha o vínculo com o rádio, o grande amigo do coração.
No rádio, iniciou pela base: começou pilotando uma nova e brilhante mesa de som com entrada para quatro microfones simultâneos ou oito, alternadamente, dois pratos toca-discos, entrada de som do gongo, intercomunicador com o estúdio onde estava o locutor e capainha para chamar o locutor quando este não estivesse no posto. Familiarizado com o ambiente de trabalho, aproveita as horas vagas para dar uma furungada pela discoteca onde os bolachões aos milhares o espreitavam do alto de suas janelas nas prateleiras.


Elegante e cuidadoso com a aparência, Nazareno posa para a foto durante uma
apresentação de radioteatro em que ele atua como sonoplasta.

Nazareno vai aos poucos estendendo seu conhecimento e domínio sobre outras áreas do fascinante mundo do rádio: entrar no estúdio, olhar de perto o contato a caixa de textos comerciais e a lista de programação com os nomes das músicas, seus autores e intérpretes – sim, porque naquela época música não era filha órfã, tinha nome de pai, mãe e de padrinho ou madrinha, que eram os intérpretes: “E agora vamos ouvir de Haroldo Barbosa e Luiz Reis, na voz de Elizeth Cardoso Nossos Momentos”.

 
Ajudado pelo sobre nome, Nazareno transforma a programação de Páscoa na Guarujá numa de suas principais atrações de auditório com muitas atrações onde pontificavam os cantores, humoristas e muitos candidatos aos prêmios que eram distribuídos.
E a paixão foi aumentando. Logo a seguir o garoto esquivo e acanhado vai ousando cada vez mais: faz locução comercial em programas esportivos e jornalísticos. Produz e apresenta programas de auditório. Entrevista, faz reportagens, participa das jornadas esportivas, narra jogos de futebol e cobre eventos de remo e ciclismo, os dois grandes esportes da década de 1950 em Florianópolis. Continua marcando pontos até chegar aos cargos de diretor de esportes e notícias da emissora até encerrar sua carreira.
 
Como profissional de comunicação, José Nazareno Coelho, foi presidente do Sindicato de Jornalistas Profissionais de Santa Catarina e fundador da Casa do Jornalista, hoje Associação Catarinense de Imprensa.
Falou sobre a personalidade do colega e amigo, JB Telles, presidente da ACESC, Associação dos Cronistas Esportivos de Santa Catarina e assessor de comunicação do Figueirense Futebol Clube, em recente homenagem prestada ao Nasa.


As reportagens externas eram o forte da programação das emissoras. Os temas eram bastante voltados para o “society”: bailes, almoços, solenidades políticas, religiosas e militares e também comerciais. Nazareno foi um dos mobilizadores do rádio de “fora pra dentro”.

José Nazareno Coelho nasceu em Laguna, cidade histórica do Sul de Santa Catarina, no dia 11 de janeiro de 1930 e faleceu em 30 de julho de 1987. Em rádio trabalhou exclusivamente na Rádio Guarujá, onde permaneceu por 39 anos.
Fontes relacionadas:

Livro Caros Ouvintes – Os 60 anos do Rádio em Florianópolis. Ricardo Medeiros e Antunes Severo. Editora Insular, 2005.
http://www.figueirense.com.br/noticias/lernoticias.php?cod_noticia=2967
http://cidadedofutebol.uol.com.br/site/vip/materias/vermaterias.aspx?idm=2651
http://www.portaldailha.com.br/portal/vernoticia.php?idnoticia=1233
http://www.cmf.sc.gov.br/1994/LPMF/lei4506_94.rtf
 


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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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