Os Sonhadores – Rozendo Lima

Discreto, observador, carinhoso e obcecado pelo que fazia. Esta a imagem que carrego de Rozendo Vasconcellos Lima, o colega que conheci na Rádio Diário da Manhã, o amigo que muito me ajudou e o sócio que viabilizou a nossa A. S. Propague.
Por Antunes Severo

Quando cheguei em Florianópolis em 1956 para trabalhar na Rádio Diário da Manhã, já encontrei o Rozendo lá como repórter esportivo, redigindo, entrevistando e fazendo locução, além de participar como radioator na programação de radioteatro da emissora.


Rozendo – que não gostava de ser fotografado – em foto de 1990

Fomos nos conhecendo e acabamos fazendo uma dupla para atuar nas áreas de produção de programas e redação de textos publicitários. Eu escrevia e ele vendia. Isso deu certo e em 1962 nos animamos a alugar uma sala para começar uma agência de propaganda. Também deu certo. Em 14 de fevereiro de 1963, registramos a firma com o nome de A. S. Propague Ltda. O A. S. de Antunes Severo, foi uma sugestão do Rozendo porque achava que meu nome era mais popular na época e mais ligado com a parte comercial da profissão. Rozendo, acima de tudo era um desportista e um gentleman.


Na redação da Diário da Manhã Rozendo faz contatos, enquanto Humberto Mendonça lê o jornal “com as ultimas” e Antunes Severo, finaliza o próximo boletim esportivo, em 1957.

Nesse tempo ele trabalhava na SUNAB – um serviço público federal que lidava com controle de preços. Mesmo assim ele sempre encontrou tempo para trabalhar pelo esporte amador da cidade, como técnico de futebol de salão, basquete e vôlei, além de desempenhar atividades de radialista e agora também de publicitário. Em 1965 ele casou com a Nidia, proprietária das Casas Coelho e acabou acumulando mais funções. A nossa sociedade na A. S. Propague foi até 1970 quando ele chegou a conclusão de que o negócio estava aumentando e ele não via condições de acompanhar com a dedicação que ele considerava necessária. Abrimos a sociedade, repartimos os bens e permanecemos ainda mais amigos. Nessa partilha eu fiquei com a agência e um apartamento no sétimo andar do edifício Brigadeiro Fagundes onde passei a morar, pois ali foi a minha primeira casa própria.


Numa raríssima foto de 1962, na Boate Plaza: Antunes Severo, Elizeth Cardozo (cantora), Aldo Gonzaga (pianista), Rozendo Lima, Claudino Silva (cantor), Zininho (compositor), Neide Maria (cantora) e Zuri Machado (cronista de O Estado).

Recentemente, em contato com o Romero, irmão de Rozendo, soube um pouco mais de sua vida. Nasceu na cidade de Rio Grande, RS em 30/9/1932, filho de Sebastião de Carvalho Lima e Isaura de Vasconcellos Lima e irmão de  Epopéa, Creusa (falecida), Nice, Romero e Lisle (falecida). Veio para Florianópolis ainda muito criança. Aqui se criou, se apaixonou pelos esportes amadores, trabalhou, casou e aqui morreu rodeado de amigos.

Romero, na correspondência que trocamos, lembra que saiu aos 22 anos de Florianópolis e por isso pouco sabe da carreira do irmão.

Mesmo assim, são dele estas lembranças:
O Rozendo iniciou suas atividades profissionais como funcionário público federal num órgão chamado SUMOC, que depois passou a se chamar SUNAB (Superintendência Nacional do Abastecimento). Como radialista começou na Rádio Guarujá onde foi contemporâneo de Geni Borges e Paulo Martins, entre outros. Depois atuou na Rádio Diário da Manhã em diversas funções, inclusive como radioator.

Desde jovem dedicado aos esportes, praticou basquete e futebol. Passou a treinador do Aimoré no campeonato de futebol amador local, tendo revelado o excelente goleiro Gainete (Paula Ramos, Seleção Catarinense e Internacional de Porto Alegre), entre outros.

Posteriormente, foi treinador de futebol-de-salão do Clube Doze e BESC. Dotado de um carisma maravilhoso, era querido por todos que o conheciam e que dele mereceram o afável tratamento de “caro”. Sua dedicação aos familiares era total, embora pouco tempo dispusesse devido às muitas atividades que exerceu. Falecido em 02.11.92, foi homenageado postumamente quando em 15.09.94 teve merecidamente seu nome atribuído ao “Complexo Esportivo Rozendo V. Lima” àquela época inaugurado na Avenida Hercílio Luz.


Rozendo passeia com a mãe, dona Isaura, em Florianópolis na década de 1980

A palavra Caro sempre colocada antes do nome do amigo, é uma das marcas registrada de Rozendo Lima. A tal ponto essa palavrinha marcou a sua vida que ao morrer este foi o tema do anúncio criado, produzido e veiculado pelos seus colegas e amigos da sua hoje Propague.

 


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