Os sonhadores – Jerônymo Borges Filho

Imagine ouvir hoje este anúncio numa das rádios locais: “Atenção você que é jovem e estudante. Nossa emissora está ampliando suas atividades e tem vagas para novos locutores. Excelente oportunidade. Não perca! Inscreva-se hoje mesmo”.
Por Antunes Severo

“Era dezembro de 1959 e isto foi o começo de tudo”, lembra o garoto Jerônymo Borges Filho, nascido em 11 de julho de 1942, hoje Juiz de Direito de Entrância Especial aposentado.
O anúncio foi veiculado pela Rádio Jornal A Verdade, a recém inaugurada emissora do poeta, radialista e jornalista Manoel de Menezes. Ao chamado da “emissora do Continente” como era conhecida responderam 11 interessados. O teste constou da leitura alguns textos comerciais e noticias, num estúdio improvisado. Este foi o primeiro contato de Borges Filho com o microfone.
Classificado em segundo lugar, Borges recebeu a incumbência de vir praticar locução todas as tardes lendo textos comerciais em dupla com o locutor do horário. “No final dos quinze dias de teste, já tinha um horário definido aos domingos pela manhã. Era dezembro de 1959 e isto foi o começo de tudo”, recorda Borges com saudade.


Programa Folhas Soltas, apresentado em conjunto com Iracema de Andrade na
Rádio Anita Garibaldi. Dia 30 de setembro de 1960.

Animado com o sucesso, no início de 1960 o novo astro ingressa na Rádio Anita Garibaldi onde brilham “grandes figuras do rádio catarinense em que despontavam na Oswaldo Robin, os irmãos Ciro e Aibil Barreto, Iracema de Andrade, Souza Neto, João Pacheco, Hélio Kersten Silva entre outros”.
Neste mesmo período, assinala Borges Filho: “Com a transferência de propriedade para o radialista Nelson Almeida, a Rádio Anita Garibaldi, ZYT-25 “A que melhor informa” (este era o seu slogan) teve outros importantes nomes que surgiram ou passaram por aquele prefixo: Souza Miranda, Walter Souza, Emilio Cerri, Fenelon Damiani, João Ari Dutra, além de uma ousada equipe esportiva em que despontaram Salomão Ribas Júnior, Newton Cesar Viegas, Carlos Alberto Campos, Augusto Casér, Curi Saliba e outros tantos nomes que fizeram história na radiofonia catarinense”.


Nos estúdios da Rádio Tupi do Rio de Janeiro, logo após a apresentação do Grande
Jornal Falado Tupi, em 1º de abril de 1964.

Paralelamente às atividades de rádio, Borges Filho também era funcionário – praticamente desde a sua fundação – do Banco do Estado de Santa Catarina.
Em janeiro de 1964, teve a oportunidade de instalar a agência do BESC no Rio de Janeiro. Nessa ocasião, no mês de fevereiro, em plena segunda-feira de carnaval, procurou a Rádio Tupi, PRG-3 à época a mais potente emissora do país, então com 100 kwatts. Deu sorte. Naquele dia o diretor José Fernandes estava sem noticiarista para substituir o grande Collid Filho que por dois meses estava se ausentando em caráter de emergência. Da substituição, acabou sendo titular do Grande Jornal Falado Tupi que era apresentado das 21h30 às 22h30 e do Grande Matutino Tupi, das 07h00 às 08h00. Depois permaneceu titular somente do Grande Jornal Falado Tupi, apresentado por três locutores. O próprio Collid Filho, que teve o seu retorno antecipado, e Paulo de Oliveira, nome de batismo do cantor Paulo Diniz, excelente voz e noticiarista.
 
Acumulando o Grande Jornal Falado Tupi foi plantonista e substituto do “Rádio Repórter Tupi”, um dos mais completos noticiários do País, que era apresentado diariamente às 08h00, 13h00, 19h00 e 21h00. A sua intervenção era em substituição nos impedimentos do titular do pernambucano Antônio de Almeida, além de suas folgas nos sábados e domingos.
Sonhador obstinado Borges Filho continua enfrentando os desafios. No final de 1964 teve que tomar uma difícil decisão: Permanecer no Rio de Janeiro ou retornar para Florianópolis, à matriz do Banco. Prevaleceu à vontade da família, tendo, pois, retornado especialmente à radiofonia catarinense.
Nesse retorno Borges Filho trabalha em praticamente todas as emissoras da Capital: rádios Santa Catarina, Guarujá, Rádio Anita Garibaldi e Rádio Diário da Manhã, “quando já funcionava no Edifício Comasa, trabalhando com alguns outros grandes nomes da radiofonia catarinense, como Adolfo Zigelli, José Valério, Hugo Silveira Lopes, Dakir Polidoro e outros”.


Participação em um Encontro Internacional de Magistrados no Chile.

Borges Filho carrega a marca do buscador. Paralelamente, também pratica o radioamadorismo. Aonde chegou a ser por dois mandatos consecutivos o Diretor Seccional, uma espécie de Presidente da LABRE, Liga de Amadores de Rádio Emissão, com jurisdição em todo o Estado de Santa Catarina, durante o período de 1971 a 1974.
Bacharelando-se em Direito “na vetusta Faculdade da Rua Esteves Júnior em 1978”, aprofunda-se nesse ramo a ponto de no início dos anos de 1980, transferir-se para o Estado do Acre, onde prestou concurso público para o Ministério Público e Magistratura. Aprovado em ambos, optou pela carreira da magistratura, onde foi também professor de Direito Civil na Faculdade de Direito da UFAC. Aposentou-se em 1996 como Juiz de Direito de Entrância Especial retornando em seguida para Florianópolis. Hoje se dedica a atividades voluntárias, filantrópicas, viagens, pesquisas e estudos.


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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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4 respostas
  1. Crista Schindler says:

    Boa noite Dr. Jeronymo,

    Algo caiu em minhas mãos: Um cartão de PY5 – AVV para PY5 CEC em março/76.
    Felicidades – Crista

  2. DALILA SUMAR says:

    Boa dia, gostaria de saber alguma coisa mais sobre este jurista Dr. Jeronymo Borges Filho, gostaria de poder me comunicar, na verdade estou tentando saber se ele tem uma filha com nome de MARCIA REGINA BORGES, mora em CAPOEIRAS com sua mãe MARIA SOLANGE.

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