Osmar de Queiroz e uma passagem inesquecível

José Domingos Borges Teixeira

Depois de um domingo bastante movimentado quando em companhia da Ana Maria estive na feira livre da Praça 29 de Março, depois na missa celebrada pelo Frei Nelson na igreja de Nossa Senhora das Vitórias, no Boqueirão, paróquia que vi nascer e que chega aos quarenta anos, passagem pela festa do amigo Tedi comandante de um dos mais movimentados bares da Rua Francisco Derosso que se despedia de seus fregueses e amigos face ter passado num concurso público da Polícia Rodoviária Federal e ter a responsabilidade de realizar um curso em Canoas, no Rio Grande do Sul, passagem  pela Vila Santa Amélia ao chegar em casa no final da tarde. Ao abrir as mensagens enviadas por e-mail encontro uma encaminhada pelo Dr. Ubiratan Lustosa em que informa o falecimento ocorrido neste domingo, 02 de setembro, de Osmar de Queiroz durante anos uma das expressões de nosso rádio esportivo.

No comunicado a indicação de que o sepultamento aconteceria ainda na tarde do referido domingo (02 de setembro). Fiquei triste em não ter comparecido as despedidas ao companheiro que foi um grande incentivador quando do início da minha carreira como radialista nos idos de 1957 na Rádio Clube Paranaense – PRB-2. Era seu ouvinte na Rádio Marumby e orgulhosamente mais tarde o tive como colega na B-2. Osmar de Queiroz um homem exemplar e que destaquei neste espaço e agora quando da triste notícia de seu falecimento repriso a seguir a matéria em que o homenageei.

Quando menino de meus onze, doze anos fui ouvinte assíduo da Rádio Marumby – “A Emissora dos Esportes do Paraná” ou a “Emissora das Iniciativas” e uma das razões era a presença de Dácio Leonel de Quadros que conheci em Castro como um dos primeiros locutores da ZYS 21 Rádio Castro Ltda como chefe da equipe esportiva e principal narrador dos jogos. Apaixonado por futebol e por rádio estava sempre ligado na ZYH 8 Rádio Marumby – 730 quilociclos como anunciavam naqueles tempos. Na equipe Osmar de Queiróz que participava praticamente todos os dias do programa das 18 horas e 30 minutos e como todo ouvinte de rádio fazia projeções de como era o locutor.

Com o passar do tempo o conheci quando de uma transmissão da Rádio Marumby diretamente do Estádio João Loprete Frega, campo do Primavera, quando o Primavera o time do Taboão estava ainda no futebol amador. Foi no mesmo estádio que também conheci Willy Gonzer, também da Rádio Marumby. A rádio justificava o slogan de “a emissora dos esportes” porque tinha um grupo grande de locutores e cobria desde os jogos de profissionais, de amadores, futebol de salão e outros esportes. Raul Mazza conheci transmitindo futebol de salão diretamente do ginásio de esportes do Clube Atlético Paranaense. Aos poucos fui conhecendo o pessoal que ouvia quase todos os dias, mas, menino só os observava a distância. Mas, não demorou muito para que estivesse ao seu lado.

Aos 14 anos após teste comecei a trabalhar na equipe esportiva da  Rádio Clube Paranaense  – PRB- 2 e um dos seus componentes era exatamente Osmar de Queiroz que tanto ouvira. Homem simples, bom companheiro foi logo me auxiliando e nos tornamos bons amigos. Osmar de Queiróz fazia de tudo um pouco na equipe: narrava, comentava, apresentava programas e sempre estava disposto a colaborar com todos. Tesoureiro da Prefeitura de Curitiba passava o dia todo por lá e chegava ao final da tarde para participar do programa das 18 horas e 30 minutos. Várias vezes viajamos para o interior do estado no sentido de fazermos coberturas de jogos. Foi um grande companheiro durante o tempo que trabalhamos juntos e sou agradecido a ele porque foi um dos muitos que me ajudou no mister de ser radialista.

Faço estas referências ao Osmar de Queiróz para destacar uma  informação constante no livro de Ubiratan Lustosa “O Rádio do Paraná – Fragmentos de sua história: A Corrida do Queiroz.

Hoje as coisas estão diferentes, mas antigamente era uma pedreira para um locutor esportivo fazer uma transmissão de futebol em algumas cidades do interior do Paraná. Os torcedores das equipes locais hostilizavam não apenas os jogadores adversários, mas também os locutores esportivos das emissoras de Curitiba.

As cabines eram inseguras e não foram poucos os que sofreram agressões de alguns fanáticos torcedores insatisfeitos com as narrações que ouviam. Não se podia criticar a equipe da casa sob pena de apanhar. Literalmente apanhar.

Osmar de Queiroz que começou sua carreira na Rádio Marumby e depois atuou na Rádio Clube Paranaense certa vez foi a Paranaguá irradiar um jogo entre Rio Branco local e o Ferroviário de Curitiba, lá no Estádio da Estradinha (o antigo Nelson Medrado Dias). O Ferroviário daquela época mais tarde passou a se chamar Paraná.

Já de início para chegar a cabine de transmissão teve que subir uma escada de pintor. Lá em cima narrou o jogo e por várias vezes criticou o time local cujos jogadores estavam batendo pra valer. Depois repreendeu a torcida do Rio Branco porque alguém jogou um bloco de caliça sobre o Paulista, goleiro do Ferroviário.

Nossa! Foi a conta! Começaram a jogar caliças e pedras na cabine de locução. Foram além: tiraram a escada por onde o Queiroz iria descer ao terminar a partida.

Ao termino do jogo ele se encolheu num cantinho para se livrar das pedradas, colocou o equipamento numa maleta e ficou a espera de que os irritados torcedores se acalmassem e fossem embora.

Alguns arruaceiros cercaram, também, a saída dos vestiários dos jogadores do Ferroviário impedindo-os de ir embora. A turma que estava atirando pedras no Osmar de Queiroz afastou-se dele e foi participar da zorra próxima ao vestiário dos atletas.

Aproveitando-se da confusão ele conseguiu pular e procurando não chamar a atenção, seguiu de mansinho para o portão do estádio. De repente chegaram policiais e bombeiros e começaram a lançar jatos de água no povão, afastando-o de onde estavam os jogadores do Ferroviário. Percebendo a fuga do locutor, o bando foi correndo na tentativa de alcançá-lo. Para a felicidade do Queiroz ia passando um padre que era da Rádio de Paranaguá e percebendo e encrenca, salvou o locutor, levando-o para a igreja. Foi uma canseira danada. Uma correria que jamais foi esquecida.

Cada locutor dos velhos tempos tem uma aventura parecida para contar, pois, em geral queriam bater em nossos locutores. Felizmente agora está melhor, mas vez ou outra ainda ocorrem alguns problemas. Ainda bem que nem todos os torcedores concordam com essa agressividade.

Prezado e querido Osmar de Queiroz por sua bondade, por seu companheirismo certamente está ao lado do “Senhor”. Aos bons é sempre reservado um lugar privilegiado e você por isto foi bem acolhido onde chegou. Em pouco tempo dois grandes companheiros de rádio deixaram este plano, primeiro Machado Neto e agora Osmar de Queiroz, sepultado no cemitério Água Verde.

José Domingos Borges Teixeira | Zé Domingos | [email protected] | 41) 9972-0129

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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