Outras Pérolas

As pérolas do rádio são impagáveis. Programas concebidos para informar ou prestar serviços acabam se transformando em momentos hilariantes. Locutores fazem de tudo para que os ouvintes acreditem neles.
Por Léo Saballa

A todo instante apelam para a tautologia (vícios de linguagem), que consiste em dizer a mesma coisa, por formas diversas. Meio parecido com pleonasmo ou redundância. “Subir para cima” e “entrar para dentro” são alguns exemplos clássicos. Mas, ao longo dos anos cataloguei alguns mais interessantes.
Durante entrevista com um político, o repórter saiu-se com essa: “Deputado, quais os seus planos, as suas expectativas e perspectivas para o futuro?”
Antes de começar uma partida de futebol, fez-se um minuto de silêncio. O repórter deu a informação: “É homenagem póstuma ao pai de um ex-presidente do clube que morreu esta semana. Inclusive a viúva do falecido está presente no estádio”. Durante o jogo o mesmo repórter referiu-se à disputa entre os dois times como uma “velha tradição”. Depois definiu um bate-boca dos jogadores como uma “discussão tensa” (será que existe discussão serena?). Quando o time da casa fez o terceiro gol, segundo o repórter, o adversário ficou num “beco sem saída” e a torcida foi para casa com um “sorriso nos lábios” (alguém já viu um sorriso nas orelhas?).
Em um programa de notícias o apresentador leu a notícia enviada pela “prefeitura municipal” (como se existisse alguma prefeitura estadual ou federal), anunciando a “abertura inaugural” de uma unidade de saúde, que contou com a presença de uma “multidão de pessoas” (ou seria de pássaros).
Elogiou a iniciativa com a seguinte observação: É muito importante “planejar antecipadamente”. A notícia seguinte foi a depredação de uma escola pública, considerada pelo locutor como um “vandalismo criminoso”. Ao comentar a informação, pediu a intervenção dos “vereadores do município”, dizendo que esse “fato real” precisa ser “encarado de frente”, pois cada vez que “amanhece o dia” uma escola é danificada, as telhas são quebradas e provocam “goteiras no teto”(se o vazamento fosse no chão seria chafariz).
O locutor finalizou o programa com uma “surpresa inesperada” ao noticiar o “superávit positivo” da balança comercial. Segundo ele, isso poderá resultar na “criação de novos empregos”.


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Por Léo Saballa

Radialista, publicitário e produtor cultural. Residente em Joinville/SC, atuou em diversas emissoras de rádio em Santa Catarina. Como jornalista, foi editor de Política e de Geral no jornal A Notícia de Joinville, onde é cronista no caderno AN Cidade. Léo tem prestado assessoria de imprensa para entidades filantrópicas.
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