Palestra para alunos de Jornalismo e Publicidade da Unisul

Um dos nomes mais conhecidos da radiodifusão catarinense ministra palestra para alunos de Jornalismo e Publicidade da Unisul.
Por Cilene Macedo

Antunes Severo, um dos nomes mais importantes da história da radiodifusão catarinense, ministrou uma palestra no dia 20, no anfiteatro da Unisul, na Palhoça, para alunos da 3ª e 5ª fases do curso de Publicidade e Propaganda e da 7ª fase do curso de Jornalismo, na qual contou sua trajetória na área da comunicação a partir da década de 1950.

Nos momentos em que antecederam a palestra, os alunos estavam curiosos para saber o que aquela figura lendária poderia transmitir. Quando o radialista Antunes Severo chegou, todos o receberam com enorme alegria, igualmente retribuída por ele.

A palestra se desenrolou em clima de total descontração. Antunes Severo contou sua história na comunicação, que começou na década  de 1950, no serviço de alto-falante Som Azul Estúdio de Rosário do Sul (RS). “Eu era um menino completamente analfabeto, vindo de Itapevi, no interior do município e que não sabia fazer nada. Fui pedir uma oportunidade para falar ao microfone e me deram um texto para ler, e eu disse que não sabia. Então, o gerente do Som Azul estúdio me falou: aprenda a ler depois volte aqui, Foi isso que fiz. Seis meses depois eu era locutor”, comenta.

Com o passar do tempo, Severo se tornou um nome conhecido na profissão. Depois de passar por várias emissoras em diversos estados, fixou-se na Rádio Diário da Manhã de Florianópolis, onde foi locutor, radioator, produtor, apresentador de programa de auditório, repórter e noticiarista. Desempenhou importantes funções na área da comunicação. Em 1962, aconteceu um fato relevante quando fez a primeira transmissão internacional. “das Barrancas do Rio Tigre”, em Buenos Aires, narrou as vitórias dos Clubes de remo de Florianópolis, Joinville e Blumenau, num campeonato Pan-americano.

Paralelamente, nesta época, começou a trabalhar no ramo da publicidade junto a Rozendo Lima, já falecido. Os dois montaram um negócio, praticamente autônomos, dentro da rádio Diário da Manhã. Antunes Severo produzia e redigia os textos publicitários e Rozendo Lima comercializava. Com o tempo, os clientes foram aumentando e os parceiros acharam melhor alugar uma sala para poder atender melhor a clientela. A partir de então, surgiu a A.S. Propague, uma das agências de publicidade mais conhecidas do ramo, em Florianópolis. As campanhas publicitárias que inicialmente eram feitas para as rádios, logo se expandiram para a televisão e jornais. Fizeram, também, a primeira campanha do vestibular da Acafe.- Associação Catarinense de Fundações Educacionais. “Eu e o Rozendo fizemos a publicidade deste vestibular no peito e na raça, não tínhamos dinheiro nenhum. Às vezes a gente fazia alguma loucura e dava certo”, argumenta. O ramo da publicidade exigia muitas viagens de negócios. “Um dia fiquei sentado umas três horas, numa pedra na praia da Joaquina e decidi que deveria diminuir o meu ritmo de vida. Eu não estava acompanhando direito o crescimento dos meus filhos. Neste dia, cheguei na Propague e vendi minha parte”, revela.  Depois disso, Severo resolveu se dedicar à atividade de professor e pesquisador na UDESC – Universidade do Estado de Santa Catarina, onde fez graduação, especialização e mestrado em Administração.

Atualmente, Antunes Severo se dedica à coordenação do site Caros Ouvintes (www.carosouvintes.com), que conta com diversos recursos multimídia, com uma audioteca, com diversos jingles, propagandas históricas e uma galeria de fotos. “O site ultrapassou o objetivo de um registro do rádio em Florianópolis. Hoje está repercutindo no meio acadêmico e de pesquisa em vários pontos do país”.

Juntamente com a coordenação do site, existe o projeto de um livro que está em fase final, e tem como título, Caros Ouvintes: Os 60 anos do rádio em Florianópolis. A obra está sendo feita por Severo e Ricardo Medeiros, bacharel em Comunicação Social – Jornalismo, pela UFSC. O livro começa contando a história da rádio Guarujá e segue acompanhando o surgimento das demais emissoras da Capital.

Paralelamente a estes dois projetos, Severo faz um serviço voluntário na Fundação Franklin Cascaes e na Casa da Memória de Florianópolis, que vem a ser um trabalho de reconhecimento das vozes de pessoas nos programas antigos que estão no acervo histórico.

Durante a palestra o radialista falou várias vezes para os futuros jornalistas que ali estavam, “não se deve ter medo de tentar”. É preciso, como disse, “meter a cara” no que se pretende fazer.

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