Papo cabeça com Antunes Severo

Professor, empresário e pesquisador dirige, com Ricardo Medeiros, o Instituto Caros Ouvintes, que cultiva a memória do rádio de Santa Catarina

Carlos Damião *

Foto Fernando Mendes

Natural do Rio Grande do Sul (Alegrete), mas vivendo em Florianópolis desde o final da década de 1950, Eurides Antunes Severo é um personagem lendário da comunicação catarinense, em plena atividade, dirigindo, com Ricardo Medeiros, o Instituto Caros Ouvintes, que se dedica à memória e à história do rádio catarinense. Formado em administração de empresas, foi empresário (A. S. Propague), dirigente de empresas de comunicação, professor universitário e secretário de Estado da Comunicação Social.

Como surgiu o Caros Ouvintes?

Antunes Severo – O Caros Ouvintes nasceu do sentimento de gratidão que eu e o Ricardo Medeiros temos para com Florianópolis. Somos forasteiros – ele de Joaçaba e eu de Rosário do Sul/RS –, chegamos aqui com a cara e a coragem buscando oportunidade de trabalho e um lugar para constituir família e viver. Fomos recebidos, acolhidos, reconhecidos e integrados à filosofia mané que cultuamos com muita alegria. É por intermédio do Caros Ouvintes – o site, os livros e a participação comunitária – que exercitamos esse reconhecimento em forma de busca, tratamento e divulgação da memória e da história da radiodifusão de Santa Catarina.

Vocês recebem algum tipo de apoio?

Antunes Severo – Essa ação é feita de forma voluntária nossa e dos colaboradores que nos alimentam com os conteúdos que divulgamos sem qualquer custo para os que nos contatam. Sempre que necessário temos recebido apoio da Rede Barriga Verde de Comunicação, RIC – Rede Independência de Comunicação e Acaert – Associação Catarinense de Emissoras de Rádio e Televisão.

Qual a repercussão do Caros Ouvintes na comunidade?

Antunes Severo – Em setembro próximo completaremos nove anos de crescimento de visitantes na ordem de 10% ao ano. Fechamos o primeiro trimestre de 2012 com a média mensal de 33.852 visitantes. Desses, 51,7% são por ordem: Florianópolis, São Paulo, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Brasília, Salvador, Fortaleza e Joinville. Os outros 48,3 vêm de outras 717 cidades brasileiras. No exterior temos visitantes regulares em 42 países com maior concentração, pela ordem em Portugal, Estados Unidos, Canadá, Moçambique, Alemanha, Angola e França.

O que mais te marcou na história do rádio catarinense?

Antunes Severo – A revolução provocada pela entrada das transmissões em ondas curtas da Rádio Diário da Manhã de Florianópolis, em agosto de 1956. Revolução pelo impacto da cobertura que chegava aos quatro cantos do Brasil e em vários países de outros continentes. Revolução pela dinâmica de programação que se ombreava ao que de melhor se fazia em Porto Alegre, Curitiba e no eixo Rio-São Paulo. Revolução pela ousadia do projeto de radiojornalismo criado por Adolfo Zigelli, do qual participei e que tem como símbolo Vanguarda, o programa de maior audiência e credibilidade nos oito anos em que esteve no ar.

Qual a melhor época de Florianópolis, terra que adotaste para viver?

Antunes Severo – Hoje, agora, este momento. Florianópolis, a Ilha, a cultura, os costumes, a simplicidade, a singeleza da gente daqui – tudo isso é algo inestimável em qualquer análise de valor, inesgotável em sua generosidade, imorredoura no coração de quem tem e sabe amar.

O que precisa melhorar em Florianópolis?

Antunes Severo – A nossa autoestima, nossa postura, nossa atitude. Gastar menos energia tentando encontrar os defeitos, as falhas e possíveis equívocos nos outros, pois em geral eles são tudo o que nos está faltando para merecermos todas as dádivas que o universo contém – que nos são dadas, a todos e indistintamente quando nascemos.

Carlos Damião | @Damiao_ND | ND Florianópolis | Ponto Final *

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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