Papo Cabeça com Nelson Rolim

Carlos Damião

Nelson Rolim de Moura é um personagem fundamental da cultura catarinense. Natural do Rio Grande do Sul, mas vivendo aqui há 35, o jornalista largou a profissão há muito para dedicar-se, primeiramente, à atividade de livreiro. A paixão pelos livros alargou-se de forma rápida: logo, em meados da década de 1990, fundou a editora Insular e passou também a editar obras de autores brasileiros ou latino-americanos. De lá para cá, são quase 700 os títulos publicados pela Insular.

Por que escolheste Florianópolis?

“Vim para a Ilha em 1976. Mas, desde que a conheci, no final da década de 60, sonhei em algum dia viver aqui. Há 35 tudo era bem mais tranquilo e vivi uma cidade que já não voltará. As praias e o interior da Ilha eram de uma paz inesquecível, com um povo hospitaleiro e muito simples. E aqui conheci minha companheira Iara Germer, com quem tenho quatro filhos e quatro netos, todos ilhéus”.

Você chegou aqui numa época de conturbação política. Como foi a tua militância de oposição à ditadura?

“Comecei a militar no movimento estudantil durante as manifestações de 1968. Presidi o Centro Acadêmico da Engenharia e o DCE da UFRGS, e atuei com os dirigentes da UNE de então, todos na clandestinidade. Militei no PS do B. Em 1973, perseguido pelos órgãos de repressão, fui para a Argentina e aderi à causa da Unidade Latino-Americana. Também fui dirigente do PDB Jovem de Porto Alegre. Sempre lutando pelas liberdades democráticas”.
 
Por que o mercado editorial como opção empresarial, já que eras um jornalista conhecido e conceituado?

“Os livros vêm da minha infância e me acompanham até hoje. Na juventude sonhava em ter uma livraria e publicar livros, como era comum em muitos da minha geração. Já abri livraria e tive que fechá-la, mas continuo publicando livros com uma incrível sensação de prazer pelo que faço. Há uma relação próxima entre o jornalismo e a edição de livros”.

Quantos livros a Insular já publicou? Qual a linha preferencial?
 
“Temos exatos 672 livros publicados e registrados na Fundação Biblioteca Nacional. Outros apenas promocionais ou para instituições culturais. Nossa base editorial inicial foi a literatura e as ciências humanas locais, mas o mercado livreiro e a sobrevivência nos levaram a todos os gêneros literários, com destaque para a comunicação e a história”.

Quais os autores publicados pela Insular que têm mais repercussão?

“Tenho orgulho de contar entre nossos autores com escritores como o Moacir Pereira, Raul Caldas Filho, Olsen Júnior, Aulo Sanford de Vasconcellos, Yeda Bracher Goulart, Aimberê Machado, Dilmo Ristoff, Carlos Humberto Corrêa (já falecido) e muitos outros, aos quais devo muitas alegrias. Todos importantes”.

Quais os planos da editora para os próximos anos?

“Estamos trabalhando na implantação de nossa editora virtual, com livros digitalizados. Creio que sonhar com 1.000 títulos em catálogo é motivador. Uma antiga aspiração está se concretizando: o lançamento em agosto de “História da Nação Latino-Americana”, do historiador argentino Jorge Abelardo Ramos”. (Notícias do Dia | Ponto Final | 23 e 24 de julho de 2011).

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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