Papo Livre – 85

Eu tenho lembrado alguns tipos populares que existiram em nossa Curitiba dos velhos tempos, recordando suas idiossincrasias, as manias de cada um. Os meus ouvintes mais velhos certamente lembram de alguns deles. Um desses tipos do passado foi a Maria Balão. Era uma negra retinta, que usava saias fofas e coloridas, muito chamativas. Por esse excesso de cores ganhou o apelido de Balão, Maria Balão. Malcriada como ela só, não respeitava ninguém e era muito temida, principalmente pelas senhoras e crianças que fugiam dela.
Maria Balão circulava pela Avenida Luiz Xavier onde pedia cigarros e uns trocados para comprar as pingas que ela gostava muito. Ela bebia e quando a provocavam partia para o revide, atacando até com pedaços de pau ou pedras que encontrasse por perto.

Conta meu amigo Professor Valério Hoerner Júnior, grande escritor paranaense, em seu livro “Ruas e Histórias de Curitiba”, que certa vez Maria Balão criou caso dentro do Café Collares. O proprietário era pai do livreiro Imer Collares Marques, da renomada Livraria Universitária. Claro que o velho Collares não queria encrenca com a Maria Balão, mas naquele dia, inexplicavelmente, ao ver que ela incomodava seus clientes que tomavam café, partiu em direção a ela. Aos gritos, deu-lhe uma seção de esculacho, mandando-a respeitar a sua casa. Talvez fosse a primeira vez que alguém enfrentava a valente Maria Balão, pois ela estranhou e assustada deu o fora correndo.

Já numa distância de segurança do irado proprietário do Café, Maria Balão fez o seu desaforo: levantou a saia e mostrou o traseiro para provocá-lo. E nunca mais foi criar caso no Café Collares.

Este nosso Papo Livre é reproduzido no site www.carosouvintes.org.br do meu amigo Antunes Severo.

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