Papo Livre 121: meu tempo de buscar cepilho nas serrarias

E chegou a hora do nosso Papo Livre para eu contar causos pra vocês. Uma das tarefas da gurizada do meu tempo era ir buscar cepilho nas serrarias. A gente chamava de cepilho aqueles restos de madeira aplainada que na época não tinham serventia para as empresas e muita gente ia buscar de graça porque era excelente para começar o fogo nos velhos fogões à lenha. Para que eu pudesse levar para casa mais cepilho com menos esforço, meu tio Jerônimo Chiesorin, o Tio Mómi, fez um carrinho com sobras de madeira e me deu de presente.

Foi ótimo, só que as rodas eram pequenas e o carrinho ficou muito baixo, de sorte que quando eu me distraia tocava o pé de bico na madeira e doía pra chuchu. Acontece que, como de resto a maioria dos piás, eu andava descalço a maior parte do tempo. Às vezes batia com força e chegava a virar a unha. Já imaginaram? Aí, além do futebol que também se jogava descalço na Praça Ouvidor Pardinho, a Praça da Igreja do Coração de Maria, eu tinha mais esse motivo para viver machucado deixando minha mãe agoniada. Curioso é que as machucaduras não infeccionavam e logo a gente se curava e estava bom pra outra.

Vivia-se uma infância mais livre, jogava-se bola, subia-se em árvores, comia-se muita fruta  que era plantada no quintal de casa, empinava-se raia que a gente mesmo fazia, pegava-se rabeira de carroças, brincava-se bastante e mesmo se machucando muito a gente era feliz.
 
Eram outros tempos. Bons tempos.

Este nosso Papo Livre transmitido pela Rádio Paraná Educativa AM 630 aos domingos, das 7 às 8 da manhã, é reproduzido no site www.carosouvintes.org.br do meu amigo Antunes Severo.

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