Papo Livre – 68

Num dos bailes do Clube Curitibano, muitos anos atrás, quando era diretor o Dr. Rubens Bettega, (um dos proprietários das Lojas Bettega da Rua Marechal Deodoro), ele me contratou para levar uma escola de samba para um baile pré-carnavalesco do clube. Eu me acertei com a turma da Escola de Samba Colorado, chefiada pelo popular Maé (que depois fiou conhecido por Maé da Cuíca), e contratei também o Raulzinho, um tremendo trombonista e trompetista que na época integrava a Banda da Base Aérea de Curitiba e depois fez sucesso e se consagrou em outros países, em especial nos Estados Unidos. Na hora do baile, muita gente já esperando o início, conforme havíamos combinado o Raulzinho foi ao palco e disse: Olha pessoal, a escola de samba, infelizmente não veio.

Foi aquele alarido danado no salão. Frustração geral. Aí, antes que houvesse algum problema, ele acrescentou:

– Mas eu e meu trombone vamos garantir um grande carnaval pra vocês.

E com aquele som maravilhoso que ele tirava de seu instrumento, encheu o salão com a introdução da música “Zé Pereira”. Era o sinal. A Escola de Samba Colorado, que estava escondida numa sala aos fundos, iniciou aquela magistral batucada deixando todo mundo louco.
Foi um inesquecível baile de carnaval, sucesso total, e a primeira vez que um conjunto musical com integrantes negros participou de um carnaval no Clube Curitibano.
O contrato foi renovado para outras apresentações.

Este nosso Papo Livre é reproduzido no site www.carosouvintes.org.br do meu amigo Antunes Severo, e a minha coleção de causos está no livro “O Rádio do Paraná – Fragmentos de sua História”. Informações sobre o livro na Editora Instituto Memória:  (41) 3352-3661 ou no site www.institutomemoria.com.br

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