Papo Livre – 72

Nos anos 1960, época romântica do nosso Rádio, com programas de auditório, radioteatro, esporte e noticiários, havia sempre uma grande movimentação em nossas emissoras. Na veterana Rádio Clube Paranaense, a terceira do Brasil, atuava uma turma grande e muito unida. Com ela colhi a maior parte dos causos que conto em meu livro “O Rádio do Paraná – Fragmentos de sua História”. Além de trabalhar juntos, constantemente a gente fazia pescarias, o que solidificava a nossa amizade. Às vezes a gente deixava as nossas tralhas do hotel do Zé do Bigode, no balneário de Matinhos.

O Mário Vendramel era muito divertido. Um dia, após tomar umas canjebrinas, assim o Moacir Amaral chamava as caipirinhas, a sede era tanta que o Mário queria beber o Oceano Atlântico.

O Vendramel dirigindo em viagem consumia muitos cigarros. Era um cacoete: dava duas tragadas e jogava fora. Aí ele deixava quase louco o seu irmão Ademar Vendramel que vinha de Apucarana e participava das nossas pescarias.

– Nêne, me dá um cigarro aceso. E o Ademar acendia um cigarro e colocava na boca do irmão. Duas tragadas, jogava o cigarro fora e novamente:

– Nêne, me Sá um cigarro aceso. Era uma tortura que o Ademar atendia com paciência.
Eram tempos em que a gente trabalhava muito, divertia-se bastante, cultivava grandes amizades e adorava a profissão que tínhamos muita honra em exercer, a de radialistas. Alguém pode perguntar:

– E vocês nunca brigavam?

Claro que às vezes a gente se desentendia, mas amigos brigam e já em seguida estão de bem.

Este nosso Papo Livre é reproduzido no site www.carosouvintes.org.br do meu amigo Antunes Severo, e a minha coleção de causos está no livro “O Rádio do Paraná – Fragmentos de sua História”, à venda nas principais livrarias e na Editora Instituto Memória – Telefone 3352-3661.

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