Papo Livre – 82

Nos tempos do fogão à lenha a vida era bem mais difícil para as donas de casa. Pra começar, acender o fogo quando a lenha não era muito boa ou estava úmida, era um sacrifício danado. Era preciso ficar soprando a brasa até o fogo se firmar. Ao soprar, espalhava-se fumaça pela cozinha e caiam cinzas pelo chão. A comida, na verdade, ficava muito boa. Parece que tinha mais sabor que a de agora que é feita em fogão a gás ou forno de microondas. Mas havia outros problemas pra gente enfrentar com os fogões a lenha. 

Aquele picumã que grudava na chaminé, com o tempo se avolumava, engrossava e pegava fogo.

A gente tinha que jogar água lá de cima, dentro da chaminé, para apagar as labaredas. As famílias mais ricas chamavam o limpador de chaminé para fazer o serviço. Aliás, essa é uma profissão extinta, pelo menos nos grandes centros.

Eu já estava esquecendo de citar mais uma desvantagem do fogão a lenha: quando o carroceiro descarregava a lenha em frente de casa, a gente tinha que recolher e cortar em achas pequenas para facilitar na hora de acender o fogo. Esse em geral era serviço dos mais jovens. Cansei de fazer isso quando era piá.

O fogão à lenha, além da comida boa tinha outras vantagens. No inverno, que já foi bem mais rigoroso em Curitiba, o fogão aquecia a casa. Nos lares mais simples ele fazia o papel da lareira das mansões de outrora.

A gente tem tanto conforto hoje em dia que nem lembra dessas coisas do passado. Muita gente nem sabe que se usava fogão à lenha nas residências e muito menos que limpador de chaminé já foi uma profissão.

Este nosso Papo Livre é reproduzido no site www.carosouvintes.org.br do meu amigo Antunes Severo. Esses causos estão também no meu livro “O Rádio do Paraná – Fragmentos de Sua História” sobre o qual vocês encontram mais informações diretamente na Editora Instituto Memória – Telefone 3352-3661.

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Por Ubiratan Lustosa

Radialista, publicitário e escritor começou sua carreira profissional na Rádio Marumby fazendo locução e apresentação de programas de estúdio e auditório. Na Rádio Clube Paranaense chegou à direção geral. Dedica-se atualmente à agência Santa Lúcia Propaganda da qual é sócio-fundador desde 1968.
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