Parece que tudo foi ontem …

Num dia longínquo uma rádio no sul vivia a continuação do sucesso de audiência que alcançaria por muitos anos, quando surgiu a oportunidade de se organizar, além de uma pesada programação jornalística e esportiva, também amenos programas, num pequeno auditório de um estreito prédio da Rua Rui Barbosa (n.149), tudo ao vivo.Não eram cartazes então de fama estadual ou nacional que enfeitavam o pequeno palco, manuseando, como gente grande, seus afinados instrumentos.  Eram apenas meninos, mais precisamente irmãos. Uma família de veia artística incomparável para a idade que tinham, e não só isso, conseguindo elevar – de forma surpreendente – o número de correspondências chegadas para seu programa.

Na cabeça, a figura esbelta de um cidadão de rara dignidade, qualidade tão expressiva quanto sua cativante humildade de chefe de família exemplar.

Um filho varão liderava o grupo artisticamente, como se os instrumentos em suas mãos fossem como hoje seria um teclado de computador a nossa frente (naquele tempo, máquina de escrever): criando novos caminhos, nuanças e tons para a arte sua e dos demais irmãos. E os maviosos tons nasciam diferentes do convencional: mais puros, mais melodiosos, quase divinos!

Mas esses meninos (e para nós eternos meninos…) foram crescendo celeremente, física e artisticamente, como todos os que se lançam com competência e gosto pela música ou por qualquer outro modo de fazer bem feito aquilo a que se propõem.

Pois foi assim que nasceram e se criaram, sob o olhar orgulhoso do “velho” Ribeiro, os componentes de um dos mais renomados conjuntos brasileiros: o Stagium.

E o pequeno Zezinho, hoje zeloso chefe de família (depois de perder sua primeira esposa, a saudosa Nívea), como os velhos vinhos portugueses da mais elevada casta, jamais parou de se tornar cada vez mais apreciado, crescer como artista e igualmente como honrado cidadão.

Foi e continua sendo, cada espetáculo de Zezinho Ribeiro – o Maestro Zezinho –, algo contagiante e marcado pelo infalível sucesso.

Escrevo tudo isso às vésperas de mais uma das gloriosas e aplaudidas apresentações do Stagium no TAC (Teatro Álvaro de Carvalho), em Florianópolis.

Para mim, parece continuar vendo o Ribeiro e seus filhos no auditório restrito da Rádio Eldorado de Criciúma, já fazendo magias com os seus instrumentos.

Um abraço carinhoso aos meninos do “seu” Ribeiro, meu sempre querido amigo.

(Ao Maestro Zezinho)

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