Passe a minha bolsinha

Peço licença ao talento de Iara Pedrosa e com a licença c0oncedida invado os seus domínios da moda e adjacências. É que as coisas estão se complicando demais, demais. Tentei imaginar como as coisas ficariam e eu é que fiquei apavorado. Que coisas? A moda, gente. A moda masculina. Pois não é que um mancebo qualquer inventou as bolsas para nós, os marmanjos?  A notícia perturbado diz que no Sacks, na Quinta Avenida, os homens já podem encontrar magníficos modelos de bolsas ao preço de 17 dólares. E que a famosa loja italiana Gucci vendeu a Marcelo Mastroiani uma bonita bolsa de couro por 69 dólares. E Que o escritor Truman Capote já comprou a sua bolsinha, o mesmo fazendo, Sammy David Jr.

Tentei imaginar os meus amigos andando pela Felipe de bolsinha azul-piscina e quase tive um troço.

O Lino, por exemplo, entre um copo de cerveja e o outro também de cerveja, pedindo delicadamente ao Dr. Trindade:

–       Trindade, quer passar a minha bolsinha?

De tão assustado tirei logo essa imagem insólita da cuca, mas apareceu Jali Meirinho, em tela panorâmica, discutindo com Bulcão Viana sobre a superioridade das bolsas de couro sobre as de plástico, “de terrível mau gosto”.

E foi aparecendo gente que n˜!ao acabava mais.

O excelente arquiteto e amigo que é Walmy Bittencourt trocando ideias com Miguel Kotzias e este aproveitando para informar que a sua loja havia recebido um encantador estoque de bolsas.

Imaginei os alegres rapazes da imprensa nas entrevistas coletivas, o Marcilio esquecendo a bolsa na Casa do Jornalista, o Luiz Henrique Tancredo abrindo espaço no Caderno II para aos últimos lançamentos, o Paulo da Costa Ramos escrevendo artigo sobre a influência da bolsa na conquista feminina. E apareceu o Alírio de bolsa rosa-choque, conversando com Dakir que ostentava um lindo modelinho confeccionado na Laguna.

Mas eu tive que desligar energicamente o processo imaginativo quando enxerguei o Adão Miranda, de bolsinha à tiracolo entrando numa sala de reuniões onde já estavam o Prefeito, o Governador, o Reitor e o Padre Bianchini.

Pela madruga, parei de pensar imediatamente.

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Não é fácil levar para a casa uma revista que não inclua longas reportagens sobre o sexo e erotismo. Na verdade, os dois ingredientes estão até nos anúncios mais inocentes.

O caricaturista Lan, contudo, tranquilizou os pais mais preocupados com a violenta explosão do sexo. Descobriu para eles uma revista perfeitamente enquadrada nas exigências da tradicional família mineira, incapaz de exercer qualquer influência mais perigosa sobre a garotada. É, segundo ele, a única revista que atualmente não contém nem sexo nem erotismo.

Chama-se Boletim Cambial.

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Ah! A Ilha!

O vereador Waldemar Filho apresentou requerimento à Câmara chamando a atenção do Prefeito para um fato de vital importância para a economia não só da micro como da macro. O edil ilustre quer que o Dr. Acácio determine providências para que o cidadão Chico Peixeiro possa escamar com mais tranquilidade o seu peixe no Mercado Municipal.

Justo.

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Um repórter ficou com pena do guarda que trabalha na sinaleira de fronte ao Posto de Saúde. O homem, coitado, pulava que nem pipoca. Trabalhava na pontinha dos pés, todo cuidados, manejando delicadamente a pequena alavanca dos sinais.

O repórter, intrigado, quis saber a razão de tão estranho comportamento. E descobriu que o homem não tinha calos, absolutamente. É que a pequena guarita dá choque.

O guarda fica rebolando perigosamente para se livrar das descargas. Quando chove, então, o guarda vira subestação da Celesc.

Num dia desses ele estava com fome e comprou um sonho de um desses garotos que vende doces e salgados nas suas cestinhas sujinhas. O garoto espetou o sonho e passou-o, num garfo, para o guarda.

Pra que, Santa Genoveva! Foi sonho para todo o lado e ate hoje o garoto jura que o guarda ali do Centro de Saúde dá choque.

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Na quarta-feira, o repórter Silveira Lopes foi entrevistar o Comandante do Corpo de Bombeiros, major Lemos do Prado. Fez várias perguntas em torno das atividades do Corpo de Bombeiros e das suas condições atuais. Mas terminou logo a entrevista e mesmo no decorrer dela estava inquieto, não parando um minuto no mesmo lugar.

Motivo: estava chovendo no gabinete do Comandante.

No mais, os bombeiros vão bem.

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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