Patriota diz que conceito de economia verde não deve ser empecilho

Antonio Patriota (Foto: Paulo Filgueiras Itamaraty)

Segundo chanceler brasileiro, a proposta é flexível e adaptável a diferentes realidades nacionais; ministro contou que controvérsia inicial sobre o tema foi perdendo força durante negociações da Rio + 20

MÍDIA | Mônica Villela Grayley, enviada especial da Rádio ONU ao Rio de Janeiro

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Antonio Patriota, afirmou que o conceito da economia verde tem ganhado mais aceitação entre os países que participam da Rio + 20. Na entrevista à Rádio ONU, o chanceler contou que o capítulo sobre o tema “que parecia um desafio grande no início da negociação” acabou se tornando menos controvertido graças também a simplificações feitas no próprio rascunho da declaração final do evento. Para o chefe da diplomacia brasileira, o mais importante agora é manter a flexibilidade de adaptação a diferentes realidades dos países.

“Não vejo o conceito da economia verde como um empecilho. Ele é um conceito aberto em construção, vai ser tratado desta maneira. Como dizem em inglês: não é um tamanho único para todos. É um conceito que pode ser adaptado ao nível de desenvolvimento, às características individuais de cada país, e num espírito de uma relativa flexibilidade, sem rigidez. Mas tomando alguns cuidados também para que novos conceitos como economia verde não venham a tranformar-se em barreiras não-tarifárias ao comércio, em condicionalidades a investimentos, empréstimos…”

Patriota falou à Rádio ONU, nesta quarta-feira, quando se iniciou a última rodada das negociações sobre o texto da declaração final da Rio + 20. A previsão de encerramento é para esta sexta-feira, mas segundo o ministro, se for necessário, as consultas continuarão a ser mantidas até a chegada dos chefes de Estado e governo, na próxima semana.

Antonio Patriota falou sobre uma das maiores dificuldades para os mecanismos futuros de gerenciamento ambiental.

“Talvez um dos pontos mais difíceis sejam os dos meios de implementação. Os aportes financeiros, transferência de tecnologia, capacitação técnica. Nós estamos trabalhando seriamente e temos confiança de que até o fim da conferência teremos um documento ambicioso. E que estabelecerá aquilo a que a conferência se propõe, objetivos de médio e longo prazo.”

A Rio + 20 deve definir ainda uma série de objetivos de desenvolvimento sustentável que serão anunciados pelos chefes de Estado e governo reunidos no Riocentro a partir do dia 20.

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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