Paulo Brito estreia com biografia de Roberto Alves

Roberto Alves é o personagem principal de um enredo que se passa na Ilha de Santa Catarina, mas com repercussão nacional, pois Roberto é uma das mais conhecidas personalidades da comunicação em Santa Catarina. Roberto agora é livro e pelas mãos de um colega de trabalho e companheiro de infância com quem compartilhou muitos sonhos e esperanças. Urdido com a maestria e o talento de um artista que ama e sabe expressar as belezas e os encantos de um cantinho de pura magia, Dás um banho: Roberto Alves – O rádio, o futebol e a cidade é uma espécie de ponto de encontro para quem viveu e vive em Florianópolis nos últimos 60 anos.
No contato com o Brito sobre o lançamento do livro fomos trocando idéias e sugestões. Um pouco disso está na entrevista em áudio, mas há outros aspectos dos quais ele falou em resposta às nossas perguntas que também merecem ser conhecidos.

Gostaria que me dissesses quais foram as fontes de pesquisa/método utilizado para escrever a biografia?

Pessoas próximas ao Roberto, que cresceram com ele na Rua Uruguai e na Itajaí, companheiros de trabalho, livros relacionados na bibliografia anexa no final do livro, entrevista com Roberto Alves, convivência de 35 anos, vivemos a infância e adolescência juntos. A decisão de escrever o livro partiu dele em querer publicar o TCC da Geórgia Borim: Roberto Alves, o homem do gol, que a Geórgia apresentou como trabalho final em 1999 no Curso de Jornalismo da UFSC. Segui o mesmo caminho de Gay Talesse quando escreve um perfil de Frank Sinatra sem ter conversado com ele, apenas com pessoas em seu entorno.

Quem foram os principais entrevistados (se amigos ou familiares do biografado, etc.)?
As pessoas que colaboraram estão incluídas nas crônicas ou capítulos do trabalho, esse livro não é exercício de uma única pessoa, mas de uma equipe a qual agradeço individualmente nas citações como fontes e como referência. Os nomes estão no livro. Há também dois vídeos – um deles está no You Tube, basta pesquisar no nome de Roberto Alves e o outro é do programa da invasão do soldado Sílvio Roberto ao programa Terceiro Tempo, gravado pelo irmão do Roberto, Elói Alves que eu salvei ao levar uma cópia para o Curso de Jornalismo em 1986.

Como a narrativa foi construída no aspecto temporal?
Eu tento iniciar com uma narrativa de dois amigos que estavam em Los Angeles na Califórnia – USA quando a invasão foi veiculada em uma emissora de TV local ou nacional, a partir dai retorno a 1910 para descrever a primeira partida de futebol realizada em Florianópolis, seguindo-se uma descrição da cidade. Comento o porquê dos nomes Iava e Avahí e do nascimento do Roberto em 1941 até o retorno dele da Copa da África. Aproveitei para descrever a história do futebol nestes últimos 60 anos e a história do rádio, da TV e dos jornais e dou um passeio por alguns aspectos da cidade.

Que tal destacar um pequeno trecho de uma das crônicas que compõem o livro?
Entre tantas crônicas acho que num trecho que descrevo como surgiu o Uruguai FC – em moda ha pouco tempo, percebe-se como Roberto, no início da adolescência já conseguia revelar a força do seu caráter criativo e o poder de sedução e de liderança que o caracterizam. Desfrute:

(…) Newton Poeta descreve como foi morar naquela rua e conheceu Roberto Alves:

– Eu nasci na Rua Uruguai, mas fui morar numa chácara, localizada na esquina da Rua Fernando Machado com a Avenida Hercílio Luz, que era do meu avô – Manoel Vieira de Melo –,  dono das Lojas Oscar Lima, a mais antiga da cidade. Só voltei para a Rua Uruguai em 1954. Foi quando fiz amizade com o Beto…

– Que saudades! – suspira.

Poeta, conta que o pai, Nilo Melo, dono de uma mercearia, vendia bebidas importadas. Certa vez, numa reunião nos fundos da sua casa, na despensa, onde havia uma mesa grande com várias cadeiras, Roberto Alves fez a proposta para organizar um time de futebol. Os cúmplices: Tito, Tarquínio, Válber, Galego Silva e o Felipe Felício, hoje médico de “rabeta”. Foi assim:
– Mal começou a reunião e o Beto se vira para mim e…
– Poeta, por que tu não pedes um litro de Martini para o teu pai? A gente coloca numa rifa e com o dinheiro compramos o uniforme do time: calções, meias e camisas.
O seu Nilo concordou com os meninos e assim nasceu o Uruguai Futebol Clube…

Paulo Brito, nasceu em Florianópolis em 1943, é graduado pela PUC RS em jornalismo, desde 1972 e desde então exerceu esse ofício em jornais, rádios e televisão em POA, SAO e FLN. Foi professor no IEE – Instituto Estadual de Educação e no Colégio Catarinense, em 1979 transferiu-se para a UFSC – Universidade Federal de Santa Catarina, onde permaneceu até 1998. Atualmente é newsman na CBN Diário, emissora de rádio do Grupo RBS em Florianópolis, onde participa do programa: Debate Diário. Este livro é sua primeira experiência como escritor.

1 responder
  1. Telmo Cunha says:

    Sua estréia só se compara, em termos de futebol, a um gol feito no final de um cmpeonato, no último minuto (e/ou descontos) da partida. Vá a galera! Comemore aquele que será o primeiro de inúmeros gols na sua carreira. Seja eternamente feliz, como eu fui, após ler o seu livro. Telmo Cunha.

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