Pedofilia, a tragédia no silêncio

O Comitê sobre Direitos da Infância da Organização das Nações Unidas (ONU) pediu à Igreja Católica que “atue com maior resolução contra os abusos sexuais de menores”, um escândalo mastodôntico que a Santa Sé é acusada de ter tentado abafar.

Trata-se de algo inimaginável até recentemente e tem efeito de vulcão expelindo lava incandescente. E coloca, definitivamente, a pedofilia, (abuso sexual de incapaz) – a maior brutalidade cometida pelo ser humano contra criança – na ordem do dia, pois se a Igreja Católica, com todo o carisma, poder e força moral purga publicamente os erros de alguns de seus integrantes nada mais restará intocável. Nem aqueles ricos senhores gordos que abusavam de meninos e meninas por moedas e picolés…

Nem o cinismo (acobertador desse crime no Ocidente e no Oriente pela postura equivocadas de proteção a clérigos e/ou preceitos religiosos) agora poderá jogar para debaixo do tapete a cultura de violência que, de forma silenciosa e requintes de crueldade física e psicológica, traçou um destino de infelicidade e dor para milhares de crianças. Até porque o Papa Francisco não economizou palavras a respeito: “Vergonha que fez da Igreja alvo de escárnio”.

Para Sara Oviedo, da equipe de investigação do Comitê da ONU o exemplo que a Santa Sé precisa dar deve assentar um precedente. Tem de marcar um novo enfoque. E, com certeza, marcará possibilitando atingir outros recantos do Planeta. Conforme a imprensa “a investigadora fez seus comentários em audiência na qual, pela primeira vez, uma delegação do Vaticano prestou explicações ao Comitê para os Direitos da Infância sobre os abusos cometidos por religiosos católicos contra menores”.

Afirmar que se trata de lava de vulcão e nada restará intocável foi a forma que encontramos para lembrar que a tragédia não tem local especifico, o abuso de crianças é algo mais amplo do que se imagina e – como a maiaoria sabe – pode ocorrer a partir da família, através do pai, do padrasto, do avô, do tio, do irmão, de qualquer parente. Não há lugar seguro para o menor, o perigo pode estar na casa do amigo, na casa da pessoa que cuida da criança, na casa do vizinho, na casa do professor.

A ONU, ao trombar de frente, sem meias palavras, com instituição tão poderosa mostra que iniciamos algo novo para enfrentar com mais determinação este antiga e, repito, silenciosa tragédia cotidiana. Com a quebra do silêncio inguém mais é intocável, vai sair faisca, mas há novas esperanças no ar, pois foi desse modo que começou o enfrentamento mundial de outra chaga perversa: a violência contra a mulher.

Quem ouviu depoimento de adulto que expressou o que foram os anos de sofrimento silencioso após o abuso sexual na infância conclui que dificilmente há algo mais hediondo, mesmo com a imensa capacidade de produzir maldade que nós os humanos possuimos. A trombada entre ONU e Igreja romperá, com o tempo, as amarras que aprisionavam a mente das pessoas quando se trata de abuso dse criança: o medo e a ignorância faziam-nos cumplices da tragédia. Mais livres teremos parametros para entender atitudes que pareciam estranhas de parte de algumas mães que faziam esforço erculeo para impedir que seus filhos pequenos ficassem muito tempo sozinhos com adultos, mesmo sendo entre conhecidos.
O amanhã não vai ser fácil, mas há que reconhecer que avançamos…

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