Pequenos heróis, grandes meninos

Início da década de 1960. Vivíamos o fim dos Anos Dourados sem saber que estávamos no limiar de uma época triste, que levaria o país a duas década de obscuridade. Mas éramos escoteiros no sentido lato da palavra. Escoteiros, Seniores, Lobinhos, Pioneiros e a Chefia, como um todo. Acontecia uma enchente no Vale do Itajaí,íamos nós para as ruas buscar donativos para os flagelados.

 

Aparecia uma vacina não injetável, via oral, lá estavam nossos meninos, em duplas, pelos caminhos sem fim de nossa Ilha Encantada. Precisava-se de um socorro médico no único hospital civil da grande Florianópolis, nossa Sede Escoteira da Rua Bocaiúva 69, era a referência e quando não, a casa de cada um de nós.

Assim, nossos meninos salvaram muitas vidas com sua solidariedade. Percorrer perigosos costões e picadas no interior da Ilha era com os Escoteiros do Mar. E não eram adultos… eram meninos de 11 a 17 anos, firmes, fortes e altivos. Eram seus corações e almas em uma época que Defesa Civil era expressão estranha.

Nesse ritmo e nessa faina nossos meninos, pequenos heróis, foram crescendo e a maioria deles, na época ds escolha da profissão, optavam por profissões voltadas para a saúde, a educação e o bem estar das pessoas. Idosos hoje, encanecidos e muitos até avos, causam um impacto de tal ordem que o coração estoura de orgulho, pois nosso Grupo de Escoteiros do Mar, em Florianópolis, era aberto e não patrocinado, deixado-nos livres, para enfrentar as procelas políticas que nos impuseram…

E aí uma faceta extraordinária: sobrevivemos incólumes, para honrar os princípios de liberdade, fraternidade e igualdade universais, pois nossos meninos procediam de todas as camadas sociais, que formavam nossa gente maravilhosamente simples dessa Ilha verdadeiramente encantada!

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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