Pequenos milagres

Ouvi esta história de um colega francês, sobre um seu amigo, árabe: Ele havia passado a infância na Argélia e, como a maioria de seus conterrâneos, vinha de uma formação muçulmana tradicional. Apesar dos rigores, no entanto, as crianças, meninos e meninas, podiam brincar livremente, ao menos até o início da adolescência. Nesse período ingênuo, ele estabeleceu uma profunda e sincera amizade com uma das meninas. Amizade daquelas em que a simples lembrança do amigo já aquece o coração. Eram inseparáveis e confidentes, num convívio que chamava a atenção de todos e que parecia poder durar por toda a vida.

Desde aqueles tempos, eles passaram a sonhar com essa continuidade, como se um não concebesse viver sem o outro. Mas, existia um sério empecilho a esse intento: havia um costume local, segundo o qual, quando o homem atingisse a idade adulta teria de escolher sua esposa dentre todas as mulheres solteiras de sua aldeia.

Isso não seria nenhum problema, não fosse o fato de, quando da escolha, todas as pretendentes apresentarem-se perfiladas, imóveis, silenciosas e com o mesmo tipo de “burka”, ou seja, indistinguíveis!

Na época, havia muito mais mulheres do que homens, pois a Argélia ainda sofria os efeitos de conflitos tribais e da guerra de independência da França. Como agravante, o casamento era a única perspectiva para as mulheres de sua aldeia. Assim, seu amor estaria terrivelmente ameaçado!

Porém, ainda não era o momento, e aquele convívio ingênuo e afetuoso persistiu, até que o início da adolescência os separou.

Então, veio o dia fatídico…

No estrito cumprimento da tradição, ele observou todas as candidatas a noivas, alinhadas e em estrita obediência aos costumes.

Após alguns instantes, sob a rigorosa vigilância dos religiosos e líderes locais, e das mães, igualmente ansiosas, das pretendentes, ele apontou para uma delas.

Surpresa geral! Ele havia escolhido justamente sua amada!

Preteridas e respectivas mães lançaram suspeita sobre a coincidência, contrastando com a felicidade radiante do casal diante da possibilidade de consumar seus sonhos de infância. Os anciãos e clérigos, no entanto, não encontraram motivos para anular o resultado do procedimento.

Sua união foi, então, abençoada e permaneceram juntos e felizes, como nas obras mais inspiradas dos grandes autores árabes. Ela foi sua única esposa!

Assim, o amor sincero não se prestou às incertezas de usos e costumes concebidos apenas para sossegar ímpetos e contornar cobranças sociais!

Providência divina?

De certa forma, sim… No entanto, sob outro tipo de manifestação, pois, ainda crianças, eles combinaram um sinal, que deveria ser observado por ele no dia da escolha.

Trapaça?

Bem, se o amor não fosse sincero e mútuo, ela não o teria usado e ele, provavelmente, já o teria esquecido. Mas também é verdade que ela ainda não havia sido escolhida e tampouco tinha chegado o momento dele escolher!

Pois é… Às vezes os milagres e a felicidade estão ao nosso alcance, dentro de nós, plantados por Deus!

Só precisamos cultivar sentimentos sinceros e perseverança, para que eles aconteçam e floresçam! 

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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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