Perguntas e respostas e mais perguntas

Comentei aqui há algumas semanas sobre o resultado do seminário sobre rádio na Internet realizado pelo Grupo de Profissionais de Rádio – GPR – e fiz alguns questionamentos que a eficiente secretária Vera, do GPR encaminhou aos palestrantes.

Perguntei se o rádio (AM, FM, OC e OT) como conhecemos tende a desaparecer em seu formato atual. As respostas a esta e outras perguntas me foram passadas pela palestrante Fabiana Curi Yazbek, sócia-diretora da Lumens, empresa especializada no desenvolvimento de projetos de usabilidade:

“- Não acredito no desaparecimento das rádios tradicionais, mas sim no meio de distribuição das rádios tradicionais. A tecnologia e a necessidade de mobilidade e conveniência trarão outras formas de se chegar às rádios tradicionais”.

– Qual será o papel das rádios convencionais no futuro? –

“-A internet ainda não possui penetração em todo o país, mas os programas de inclusão social e as novas gerações que já nascem com os conceitos de tecnologia enraizados vão modificar a forma com que conhecemos rádio. Além disso, a individualidade dos seres humanos, cada vez mais forte e presente no mundo moderno faz com que a personalização e a necessidade de deixar a escolha na mão dos ouvintes tenha presença nesse mercado.”.

Os departamentos de mídia das agências estão preparados para a complexidade das novas ofertas de espaço publicitário?

“- As agências vão aprender a trabalhar com esses novos formatos, assim como nós aprendemos a trabalhar com a internet”.

As novas alternativas agradam os ouvintes ou não passa de uma tendência “modernosa” que tende a enfraquecer diante de novas possibilidades tecnológicas que surgem todos os dias?

“- Acredito que sim (que agradem), pois são eles que fomentam essas novas alternativas e estão trazendo visibilidade à esse assunto. Temos que nos acostumar que não existe mais uma única forma de fazer as coisas. As novas tecnologias e a facilidade como ela chega na vidas das pessoas mudou a nossa forma de pensar e agir.

A resposta sobre o tipo de rádio procurada pelos internautas, no entanto continua uma incógnita: Dos 83% das pessoas que buscam rádios que “estão no ar”, continuo não sabendo se as preferências são para rádios convencionais (AM, FM) ou rádios exclusivamente feitas para a WEB, ou as duas e em que proporção, já que na terminologia radiofônica, todas estão “no ar”. Acho essa informação fundamental para balizar a importância para o internauta de cada um desses modelos de rádio.

Continuo curioso para saber se os anunciantes já se utilizam desses meios para divulgação de seus produtos de maneira substancial e organizada e se os resultados são satisfatórios; se as escolas de comunicação conseguem atualizar seus alunos sobre todos esses recursos; se existem estudos disponíveis sobre o impacto das novas tecnologias na sociedade, sua importância, e a proporção de pessoas que se utiliza delas e outras questões essenciais para que se possa compreender todo esse processo que, como já disse, nos sufoca em razão de sua constante mutação e carga de informação.

Apenas para constar, vou divulgar aqui um dado da minha pesquisa individual, sem qualquer pretensão científica, apenas movido pela curiosidade que o tema provoca, realizada nos últimos três meses, com pessoas entre 19 e 32 anos, do meu ambiente de trabalho e dos locais que visito ou freqüento, pessoas que teem acesso à internet, ou em casa, ou no ambiente de trabalho ou nos dois casos. Foram apenas 89 entrevistados (por enquanto) nas cidades de Salvador, Maceió, Aracajú e Fortaleza, todas pessoas que conheço pessoalmente, com quem conversei diretamente ou pela internet. Quase 62% ou exatamente 55 pessoas responderam que gostariam de ter equipamentos portáteis e potentes para ouvirem os meios convencionais (AM, FM, OC,OT) desde que houvesse melhor qualidade no conteúdo e no som, cujas preferências indicam música, noticia, esporte, variedade, debates, música clássica e outros, nessa ordem.

Na verdade não fiz (e não faço) uma pergunta, mas coloco o tema. Falo sobre as alternativas de rádio na web e fora dela, o tempo que disponibilizamos para isso, onde ouvimos nossas rádios, o que procuramos e as dificuldades de sintonia em qualquer sistema (web ou convencional)

Em resumo: a maioria quer algo simples, de qualidade, fácil de transportar e sintonizar e que não exija imobilização, ou seja, que não seja necessário ficar ali, preso, executando muitos comandos para sintonizar uma programação que lhe agrade. Querem o mais simples e prático. Colocou o fone no ouvido, deu um click e é só sintonizar o que se quer ouvir, o que, de certa forma, corrobora com a primeira resposta de Fabiana Curi Yazbek.

É isso.

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Por J Pimentel

Criou-se ouvindo rádio até que em 1964 ingressou como locutor nas rádios Difusora e Cultura dos Diários e Emissoras Associados. Foi coordenador das rádios Piratininga, América, 9 de Julho e Transamérica de São Paulo. Em Salvador/BA coordenou a Rádio Cidade de Salvador. Especialista em marketing político no rádio e produtor executivo.
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