Pesquisa analisa a postura da mídia em relação ao idoso

Matéria postada no Portal da UNESP e comentada por Renato Coelho do Observatório de Imprensa levanta questão que já é motivo de estudo em outros países.

Verificar as possibilidades de inclusão social do idoso por intermédio dos meios de comunicação e conscientizar os estudantes de jornalismo no Brasil sobre o envelhecimento demográfico atual foram os objetivos da pesquisa A visibilidade do idoso nos meios de comunicação.

O estudo de pós-doutorado do jornalista Pedro Celso Campos, docente do Departamento de Comunicação Social, da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação (Faac), câmpus Bauru, foi realizado na Faculdade de Comunicação da Universidade de Sevilha, Espanha.

“Enfatizei o modelo da Espanha, pois, conforme dados da ONU (Organização das Nações Unidas), esse país terá o maior número de idoso do mundo até meados do século 21, quando haverá cerca de 2 bilhões de pessoas com mais de 70 anos no planeta”, explica o docente.

A iniciativa surgiu, após Celso ter diversos acessos a textos discriminatórios por parte de algumas mídias nacionais em relação aos idosos. “Perante as atitudes de alguns jornalistas e meios de comunicação, concluí que a única esperança de mudança é tornar o idos tema de discussão junto aos jovens estudantes de jornalismo, que serão os futuros comunicadores do país”, acrescenta Campos.

Campos fez um registro bibliográfico voltado para a área da ecologia humana, utilizando títulos disponíveis na faculdade espanhola e participando paralelamente de palestras sobre comunicação em Sevilha e Santiago de Compostela. Posteriormente, criou uma base de dados com análises e colhimento de informações em jornais espanhóis de prestígio como La Razón, Diário de Sevilha, ABC e El País.

“Observei que os jornais valorizam a idade dos entrevistados quando são pessoas de destaque social, político, econômico e cultural, mas omitem a idade e até mesmo o nome da pessoa idosa quando ela é anônima”, diz o autor da pesquisa. “Detectei também que as mídias falam muito para os idosos, mas não sobre os idosos e que muitas vezes são tratados como problemas, peso social, reafirmando estereótipos clássicos de lentidão, inutilidade e inadaptabilidade às novas tecnologias”.

Segundo o docente, todos esses dados contribuem para prejudicar o protagonismo social ao qual o idoso é chamado cada vez mais como sujeito social e não como massa. “A mesma mídia que passa informações úteis à longevidade como cuidados com a saúde, alimentação e outros, também caricatura o idoso”.
A pesquisa foi orientada por Francisco Sierra Caballero, docente da Faculdade de Comunicação da Universidade de Sevilla, com co-autoria de Antonio Carlos de Jesus, docente da Faculdade de Arquitetura, Arte e Comunicação (Faac), câmpus Bauru. “Creio que a mídia deva abrir espaços e definir pautas e linhas de atuação para contribuir de forma significativa para uma ação efetiva no respeito ao idoso”, diz Jesus.

O co-orientador da pesquisa enfatizou a importância do estudo para criar alternativas de uma vida mais saudável ao idoso, oferecer orientações aos jornalistas sobre métodos e técnicas de abordagens em relação ao tema, além de enriquecer as especialidades de estudos oferecidas pela Unesp. “A pesquisa trata de um tema social delicado e é uma contribuição científica para o melhor desenvolvimento social das comunidades diretamente atendidas pela Universidade”, finaliza Jesus.

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