Picape da frigideira: a voz do rádio


“Nelson será lembrado como alguém que colocava sempre o amor ao rádio em primeiro lugar. Eu costumava acompanhar o trabalho que fazia e ia até junto para algumas coberturas. Vivi junto com ele tudo isso”. Brigitte Fouquet Rosenbrock, 71 anos, viúva.
Por Antunes Severo

Nelson Rosenbrock e o rádio têm tudo em comum: simplicidade, espontaneidade, disponibilidade. Até autodidata os dois são. Nelson começa a ler aos cinco anos de idade por conta própria, o rádio se descobre e atualiza num processo contínuo que o coloca sempre na vanguarda da comunicação. Os quase 60 anos de convívio são o atestado da identidade existente os dois. Populares, inventivos, alegres, brigões às vezes, mas sempre fiéis, justos e respeitosos. Pode-se dizer que o rádio vive na voz de Nelson Rosenbrock como Nelson vive nas ondas do rádio. São eternos.
Peregrino, inquieto e aventureiro, Nelson cedo bota o pé na estrada. Nascido em Brusque estaciona em Rio Negrinho. Aí vive as suas primeiras emoções de falar no rádio. Com 21 anos Nelson Rosenbrock assume “a maior idade”, liberta-se da pesada vida de pedreiro e começa a navegar pelo deslumbrante mundo das ondas sonoras da Rádio Rio Negrinho. Gagueja, tropeça, levanta, se equilibra, firma o passo, amadurece e alça o grande vôo: vai trabalhar em São Paulo. Convive com outros novatos também cheios de sonhos como Silvio Santos, Hebe Camargo, José Vasconcellos, Chico Anysio, palhaço Arrelia e o narrador de  futebol Edson Leite, entre outros.
Um dia a saudade bate, insiste e ele não resiste. Volta para Santa Catarina de olho num outro grande desafio. Aquele prefixo não sai de sua cabeça, chega a sonhar: PRC-4, Rádio Clube de Blumenau, a primeira emissora de Santa Catarina. “Meu Deus do céu, quem me dera!”.

E Deus deu. Ele fez por merecer. Merecia tanto que além da fama como locutor, repórter, produtor, apresentador e animador, Nelson dirige a emissora de 1960 a 1986. O Picape da Frigideira ganha espaço, fama e audiência cativa. Vira marca registrada. O mundo gira, a rádio é vendida e Nelson assume outro posto. Agora, ao microfone da Rádio Nereu Ramos, ele comanda o Domingo Maior nas manhãs dos ouvintes do Vale do Itajaí. Em 2004, com a saúde comprometida o alegre e descontraído menino que se criou tomando banho pelado nas águas do rio Itajaí Açu, encerra a carreira.
Domingo passado, exatamente às 12h35min, Nelson Rosenbrock encerra mais uma etapa de sua brilhante carreira. Deixa esta vida – bem mais vazia é verdade – mas, inicia outra jornada que por certo será ainda mais brilhante.

Fontes consultadas:
Jornal de Santa Catarina, Diário Catarinense e A Notícia.
As fotos são de Artur Moser, Banco de Dados/Santa – 08/11/2004.
 


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Por Antunes Severo

Radialista, jornalista, publicitário, professor e pesquisador é Mestre em Administração pela UDESC – Universidade do Estado de SC: para as áreas de marketing e comunicação mercadológica. Desde 1995 se dedica à pesquisa dos meios de comunicação em Santa Catarina. Criador, editor e primeiro presidente é conselheiro nato do Instituto Caros Ouvintes de Estudo e Pesquisa de Mídia.
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