Picolé, o mais longevo publicitário catarinense na ativa

A legendária revista Seleções, que depois de muitos anos desativada retornou às bancas, tinha, não sei se tem ainda, uma página denominada Meu tipo inesquecível.
Por Chico Socorro

Cada um de nós tem pelo menos um tipo inesquecível que cruzou o nosso caminho, escolar ou profissional. Pois bem, o Peixoto, por todos conhecido como Picolé, é, para mim, um tipo inesquecível. E hoje descobri no livro do Severo/Medeiros, Caros Ouvintes, que ele começou no rádio. Daí esta crônica.

A história da presença do Picolé no rádio está contada o livro Caros Ouvintes. Mas vale a pena contá-la aqui  novamente para mostrar que o Picolé, consagrado como Diretor de Arte e “patrimônio” da Propague, também poderia ter seguido outros caminhos profissionais.


1960.

Por exemplo, alguém  consegue imaginar o Picolé como um causídico? Pois o Peixoto, em 1962, era aluno de Direito na Universidade Federal de Santa Catarina mas não concluiu o curso. Ou então, como um sisudo  Administrador de empresas? Picolé foi colega de turma do Antunes Severo na ESAG nos idos de 1966/67 – outro curso não concluído.


1970.

O seu envolvimento com o rádio em 1962 tem uma razão muito prosaica.


Em 1974 com o  filho, Marcelo Peixoto.

Picolé  namorava uma das filhas do  então deputado  federal Aroldo Carvalho  que pertencia à ala da UDN chamada de Bossa Nova, menos conservadora do que a liderada pelos Bornhausen.


1980.

Naqueles tempos, década de 60 do século 21, era estratégico possuir uma rádio para se avançar na carreira política. E Aroldo Carvalho conseguiu uma concessão e montou a Rádio Santa Catarina que começou a operar em maio de 1962. E o Picolé então é convocado pelo pai da moça para uma conversa que na seqüência, desenharia o seu futuro profissional como publicitário. Mas vamos deixar que o próprio Picolé conte essa história.


1980.

“Em 1962, o Aroldo me chamou para conversar e eu já estava meio na família dele e tal. Ele me chamou porque precisava de alguém que olhasse a rádio enquanto estivesse fora, pois ele morava em Brasília. Ele precisava de alguém que cuidasse do dia-a-dia da rádio, que tomasse conta dessa área, embora eu fosse um neófito na coisa. Ele disse: você vai aprender a gerenciar uma rádio, não é bicho de sete cabeças”.

E foi assim que o Picolé se transformou em Gerente Geral da Rádio Santa Catarina, tendo ao seu lado, como Diretor de Broadcasting (um luxo) o Emílio Cerri, o outro decano da Publicidade Catarinense.

Conheci o Peixoto nos anos 1994,1995 durante a minha passagem pela Propague. Ele já era um veterano, decano da profissão em Santa Catarina. Mas, para mim, o que era notável era a sua extrema simplicidade, seu bom humor, sua disposição permanente para encarar cada novo desafio e, diga-se, a completa ausência da vaidade, típica de muitos profissionais do nosso meio.
Em 2002, o Clube de Criação de Santa Catarina, sob a presidência do Rogerinho, conseguiu a proeza hercúlea de editar o primeiro Anuário do gênero em Santa Catarina. Uma obra de imenso valor para todos que atuam na área.

E o escolhido para o “Hall of Fame”, que abre anuário, é exatamente o nosso Picolé.
Gostaria de ter escrito pelo menos uma frase do texto já  antológico do Marote (Mário Speranza) em que ele, e o anuário, homenageiam o Peixoto.

Selecionei e reproduzo a seguir, ipsis literis, parte do que o Marote escreveu:
“Na minha opinião, o Peixoto é  um ultrapassado, um anacronismo da propaganda. Sua forma de trabalhar como criador é pré-histórica, coisa do passado. O Peixoto é um jurássico. Por exemplo, o Peixoto ainda é daqueles que lêem o briefing. Pior: ele procura fazer o que o briefing sugere, o que o cliente precisa. Nem está aí para ganhar prêmios…”
“Os layouts do Peixoto são claros, fáceis, qualquer um entende. Nesses layouts, o cliente e seus produtos aparecem mais que o diretor de arte. O logotipo do anunciante aparece mais do que a genialidade do criador, os produtos são mais visíveis que a intenção artística. Isso hoje cheira a mofo”.
“[Vamos homenagear Peixoto] pra que sacadas de marketing pessoal e lances de autopromoção não tirem o espaço de idéias pertinentes e adequadas que vendem produtos e reforçam marcas.”
“Vamos homenagear o Peixoto pra  que não desapareça nunca essa forma antiga e ultrapassada de se fazer propaganda”.
E por aí vai o texto magistral do Marote…
GEORGE ALBERTO PEIXOTO, PICOLÉ,  assim mesmo, em caixa alta: uma rara unanimidade no meio publicitário catarinense!


Picolé, 2006.


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Por Chico Socorro

Publicitário, nasceu em São Paulo e veio para Santa Catarina no final da década de 1970 para implantar e gerenciar o setor de comunicação e marketing da Cia Hering de Blumenau. Chico Socorro é consultor independente de comunicação e marketing para as áreas de licitações públicas e prospecção de novos negócios.
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